A ONU informou nesta última segunda, 12, que cerca de dois milhões de pessoas na Faixa de Gaza estão sem ajuda humanitária com a chegada do inverno e das primeiras chuvas.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que a cadeia de abastecimento dos parceiros humanitários cobre somente 17% das necessidades de abrigo identificadas para o inverno. Segundo a agência, a insuficiência de financiamento e as restrições impostas pelas autoridades israelenses à entrada de suprimentos essenciais impedem uma resposta humanitária na escala necessária.
A OIM informou que, fora da Faixa de Gaza, permanecem cerca de 8,6 mil kits emergenciais de abrigo, preparados para entrega, mas impedidos de atravessar as fronteiras pelas autoridades israelenses. A organização também pediu que as fronteiras autorizem a passagem de barracas, módulos habitacionais emergenciais, madeira, ferramentas e combustível; o último seria usado na remoção de escombros. “Os materiais necessários para os abrigos devem poder entrar rapidamente, de forma previsível e em quantidade suficiente”, afirmou Amy Pope, diretora-geral da OIM.
A OIM informa que 1,77 milhão de pessoas vivem em acampamentos e que 56% delas estão em locais classificados como de risco médio ou alto de inundação. A agência relata danos graves nos sistemas de drenagem, que deixam a população mais exposta a inundações, e prevê chuvas acima da média com a intensificação do El Niño, elevando os riscos de desabamentos e inundações.
As tendas foram projetadas como solução temporária e têm duração estimada de seis a 12 meses. Segundo a OIM, mais de 50% dos abrigos provisórios em uso — entre tendas e estruturas improvisadas — estão em mau estado e precisam ser trocados. Quando possível, as equipes humanitárias recorrem a materiais locais ou reciclados, mas a agência considera insuficientes esses esforços.
Na falta de outras opções, milhares de famílias vivem em prédios danificados pela guerra, que oferecem risco de desabamento. Em agosto, parceiros da OIM registraram perigo em mais de 3 mil estruturas; aproximadamente 2,6 mil tinham indicação de demolição, enquanto 980 precisavam de evacuação imediata.
A OIM descreve a situação como o 4º inverno consecutivo dos palestinos em Gaza sem proteção adequada contra chuva, inundações e frio. O inverno começa em dezembro, e a organização afirma que as famílias, já deslocadas várias vezes, precisam de condições para atravessar a estação. A Organização Mundial da Saúde também advertiu que a precariedade pode elevar os riscos sanitários durante as chuvas, quando podem proliferar pragas, mosquitos, bolores e bactérias.
Não foi localizada uma resposta das autoridades israelenses às alegações de restrições à entrada de materiais. As fontes consultadas não detalham a metodologia usada para calcular os 17% nem informam qual passagem de fronteira recusou cada remessa.
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