O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, disse na sabatina da TV Globo, na última sexta, 16, que não disputará a reeleição se for eleito. Na entrevista de pouco mais de 40 minutos, conduzida por Renata Lo Prete, ele também negou que o 8 de janeiro de 2023 tenha sido tentativa de golpe.
Flávio foi o 2º entrevistado, na ordem definida por sorteio da emissora. O presidente Lula (PT), seu adversário no 2º turno, marcado para 25 de outubro, foi sabatinado na quinta, 15. No 1º turno, em 4 de outubro, Flávio teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, vantagem de 1,87 ponto percentual, o equivalente a aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Sobre a reeleição, o candidato afirmou que apresentaria uma Proposta de Emenda à Constituição para acabá-la. “Partiu de mim apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição onde acaba a reeleição para presidente. E aí depende do congresso a duração do mandato, se vai ser de quatro anos ou não”, disse. Ele afirmou que a regra valeria já para o próximo mandato, que parentes do presidente até o 3º grau ficariam proibidos de se candidatar na sequência e que não concorreria a novo mandato mesmo que o prazo de quatro anos seja mantido.
Questionado sobre o 8 de janeiro, Flávio disse que a multidão que invadiu prédios públicos não protagonizou uma tentativa de golpe e que “uma senhora com Bíblia” não tentava dar um golpe. Naquele dia, milhares de pessoas invadiram e vandalizaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, além de agredirem policiais. Sobre o julgamento do pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão, ele declarou: “Essa farsa, a história vai mostrar que foi totalmente armado para tentar tirar Bolsonaro da vida pública”.
Perguntado sobre um eventual cargo para o pai em seu governo, o senador respondeu: “O presidente Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo. Não está no radar”. Em declarações anteriores, ele havia dito que daria indulto a Jair Bolsonaro. Flávio descartou ainda nomear o irmão, Eduardo Bolsonaro, como ministro das Relações Exteriores: “Eduardo não vai ser meu chanceler”. Eduardo mora nos Estados Unidos e foi condenado no Brasil por coação no curso do processo.
O candidato disse apoiar o fim da escala 6×1 e que não pretende revertê-lo. A emenda foi promulgada na sexta, 16, e Flávio votou a favor no Senado na semana da sabatina, depois de ter se oposto à medida. “Eu sempre defendi mais liberdade, inclusive para os trabalhadores montarem sua jornada de trabalho. Isso pressupõe que a escala 6×1 seja extinta”, afirmou.
Ao tratar do pedido de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso, para o filme Dark Horse, Flávio disse que não houve nada de errado. “Eu estou falando de um pedido de um patrocínio privado para um filme privado, sem absolutamente nenhuma contrapartida”, declarou, acrescentando que a produtora prestou contas.
Em outro momento, o senador atribuiu a pessoas ligadas a Lula supostas contrapartidas em negociações com fundos de pensão e com o Banco Master, sem apresentar provas. Renata Lo Prete o interrompeu e disse que não trataria de informações sem confirmação da apuração da emissora nem da Polícia Federal.
Algumas afirmações do candidato foram contrapostas a dados. Flávio disse que “esse foi o outubro com maior queimada na história da nação brasileira”, mas o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que mede focos de calor desde 1989, registrou 9.544 na Amazônia até 15 de outubro, número distante dos maiores da série. Ele também afirmou que o governo de Jair Bolsonaro cortou milhares de cargos em comissão, mas uma checagem jornalística mostrou que eram 46,2 mil em 2022, ante 31,8 mil em 2019. Sobre royalties da Margem Equatorial, disse que “poderia trazer mais de R$ 100 bilhões”, embora a Petrobras projete que a exploração só comece em 2033.
Flávio prometeu ainda classificar Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas, sem explicar o que isso mudaria na prática. Horas antes da sabatina, almoçou com diretores da Globo. A emissora confirmou o encontro e informou que ele foi recebido por José Roberto Marinho, presidente do grupo, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet, além de afirmar que nenhum integrante do jornalismo participou.


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