A Grécia assinou nesta segunda, 2, em Atenas, acordo para três aeronaves de transporte militar KC-390 Millennium, da Embraer, com opções para mais três. O acordo é de governo a governo com Portugal, que autorizou até € 532,9 milhões para as três aeronaves e a logística inicial.
A Embraer anunciou que o contrato firme cobre três unidades e que as outras três são opções. Segundo o comunicado da fabricante, a Força Aérea Helênica deve receber o primeiro KC-390 em 2027. O cronograma das demais entregas, porém, ainda não está claro: uma fonte portuguesa prevê entregas em 2029 e 2031, enquanto a imprensa grega fala em dois aviões restantes até 2030.
Do lado português, o governo autorizou até € 532,9 milhões para as três aeronaves e para o pacote inicial de apoio logístico. Outros € 57,1 milhões, no máximo, cobrem guerra eletrônica, treinamento, equipes técnicas enviadas à Grécia e gestão do programa. Como retorno, segundo uma fonte oficial do Ministério da Defesa Nacional português, o Estado deve receber € 11 milhões por aeronave, somando € 33 milhões, a serem aplicados na indústria nacional.
O Conselho de Ministros português aprovou a medida em 14 de outubro, e o Diário da República a publicou em 22 do mesmo mês. Em 23 de outubro, o contrato bilateral definitivo ainda não havia sido assinado, e Portugal compraria as aeronaves da Embraer para repassá-las à Grécia. A Embraer não divulgou preço, prazo nem condições das três opções, e não informou se o contrato com Portugal para exercê-las foi formalizado. Nas fontes consultadas, nenhuma autoridade grega ou portuguesa se pronunciou sobre o acordo assinado nesta segunda.
Segundo a Embraer, a Grécia é o 7º país europeu a selecionar o modelo, e os outros seis são Suécia, Áustria, Hungria, Países Baixos, Portugal e República Tcheca. O KC-390 substitui a frota grega de C-130H Hercules, cuja manutenção ficou cada vez mais cara. Além disso, os C-130 Hercules e os C-27J Spartan da Força Aérea Helênica têm problemas persistentes de disponibilidade.
Parte da participação portuguesa no programa passa pela OGMA, empresa de Alverca que tem a Embraer (65%) e o Estado português como controladores. A companhia fabrica segmentos da fuselagem central, que seguem para o Brasil e recebem, em Gavião Peixoto (SP), a montagem final do avião. Em maio de 2026, a Embraer e a estatal grega Hellenic Aerospace Industry assinaram memorando de entendimento para ampliar a capacidade local de manutenção, reparo e revisão do KC-390. Dendias, ministro grego da Defesa, afirmou que as três aeronaves são um primeiro passo e que a Grécia pretende ter capacidade de manutenção de aviões e motores no próprio país.
A parceria com Portugal vem de 2025, quando Grécia e Portugal assinaram, em 16 de junho, carta de intenções para cooperação em transporte aéreo militar. Em 17 de setembro daquele ano, um aditamento ao contrato português incluiu uma sexta aeronave na frota e reservou opções para até 10 unidades destinadas a países europeus ou à Otan, por acordos de governo a governo. Restam sete opções nesse contrato. Em maio de 2026, Dendias visitou Portugal. Em 11 de junho, a comissão de Defesa do Parlamento grego aprovou o financiamento, e em julho o governo grego aprovou o programa.
O KC-390 transporta até 26 toneladas de carga e atinge 470 nós. Além da Grécia e de Portugal, a Embraer relaciona como compradores do modelo Brasil, República da Coreia, Uzbequistão, Emirados Árabes Unidos e Colômbia.




