Banco Central corta Selic para 14,5% e sinaliza cautela diante de inflação pressionada por cenário externo

O Banco Central reduziu, nesta quarta, 29, pela segunda vez consecutiva a Taxa Selic, fixando os juros básicos da economia em 14,5% ao ano após corte de 0,25 ponto percentual decidido por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A medida, já esperada pelo mercado financeiro, ocorre em meio a um ambiente de desaceleração da inflação, mas ainda cercado por incertezas no cenário internacional.

A taxa vinha sendo mantida em 15% ao ano desde junho de 2025, o maior patamar em quase duas décadas. O ciclo de cortes foi retomado na reunião anterior, refletindo sinais de alívio inflacionário. No entanto, o avanço recente dos preços de combustíveis e alimentos, influenciado pela guerra no Oriente Médio, adiciona novos desafios à condução da política monetária.

Esse cenário externo mais adverso tende a limitar o ritmo de redução dos juros. A alta das commodities energéticas e agrícolas tem impacto direto sobre a inflação, especialmente em países como o Brasil, onde esses itens possuem peso relevante nos índices de preços. Assim, mesmo com a desaceleração observada nos últimos meses, o Banco Central mantém postura cautelosa.

Além das pressões econômicas, o Copom enfrenta um momento de transição interna. O colegiado está desfalcado desde o fim de 2025, com o término dos mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti. Até o momento, o governo federal não encaminhou ao Congresso os nomes para substituição.

Na reunião deste mês, o comitê terá ainda mais uma ausência. O diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, não participará dos debates devido ao falecimento de um familiar de primeiro grau. Mesmo com a composição incompleta, o Banco Central manteve a decisão unânime, indicando alinhamento interno quanto à necessidade de ajustes graduais na taxa básica de juros.

O movimento reforça a estratégia de redução cautelosa da Selic, buscando equilibrar o estímulo à atividade econômica com o controle da inflação em um ambiente global ainda instável.

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