Arruda e Gim Argello tentam volta à política do DF com retrospecto de cassação, prisão e fortuna sob suspeita

Dois nomes que marcaram os maiores escândalos de corrupção da história do Distrito Federal voltam a disputar espaço na política local em 2026. José Roberto Arruda e Gim Argello, ambos com passagens pela cadeia e processos por corrupção, articulam juntos o retorno às urnas depois de mais de uma década afastados do poder.

Arruda foi preso por ordem do STJ em 2010 e teve o mandato de governador cassado pelo TRE-DF por infidelidade partidária, após deixar o partido para escapar de um processo de expulsão. Ele comandava, segundo o Ministério Público, um esquema criminoso voltado a financiar irregularmente a campanha de 2006 e a comprar o apoio de deputados distritais com propina paga por empresários de informática, o caso ficou conhecido como Caixa de Pandora. As acusações de formação de quadrilha contra ele prescreveram nove anos depois da denúncia, sem julgamento, mas o STJ manteve a condenação por improbidade administrativa. Depois de ser barrado nas eleições de 2014, 2018 e 2022, Arruda chega a 2026 na quarta tentativa de voltar ao Buriti, beneficiado por uma mudança recente na Lei da Ficha Limpa que passou a contar o prazo de inelegibilidade a partir do afastamento do cargo, e não da condenação.

Quem não se lembra de Arruda recebendo dinheiro de Durval e Gim Argello sendo preso pela Polícia Federal?

Gim Argello, ex-deputado distrital e ex-senador, teve trajetória parecida. Foi preso em 2016 na Operação Vitória de Pirro, desdobramento da Lava Jato, e condenado pelo então juiz Sergio Moro a 19 anos de prisão por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e obstrução de Justiça, acusado de receber ao menos R$ 7,2 milhões para blindar empreiteiras investigadas na CPI da Petrobras. A pena foi reduzida para 11 anos e 8 meses pelo TRF4 e, em 2022, anulada pelo STJ, não por absolvição de mérito, mas porque a maioria dos ministros entendeu que o caso deveria ter sido julgado pela Justiça Eleitoral, e não pela vara federal de Curitiba. À época em que ainda exercia mandato, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 4,5 milhões e mantinha uma mansão na Península dos Ministros, no Lago Sul.

Hoje os dois estão de volta lado a lado: Gim assumiu em novembro de 2025 a presidência do partido Avante no DF justamente para reforçar a articulação em torno da pré-candidatura de Arruda ao governo. Mesmo assim, a dupla enfrenta resistência popular, pesquisas mostram Arruda como o único pré-candidato ao Buriti com rejeição superior a 50% entre o eleitorado, e a situação jurídica do ex-governador segue indefinida, com decisão final do TRE-DF esperada apenas até agosto.

O caso de Arruda e Gim não é isolado: mais de 50 políticos eleitos no DF foram alvo de investigações em 16 anos, um histórico que ajuda a explicar por que o retorno de figuras já cassadas e condenadas ao primeiro escalão da política local voltou a dividir a opinião pública às vésperas de uma nova disputa eleitoral.

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