Keir Starmer renuncia após 23 meses e Reino Unido terá seu sétimo premiê em dez anos

O primeiro-ministro trabalhista Keir Starmer renunciou nesta segunda, 22, ao cargo, após 23 meses no poder, em pronunciamento feito no número 10 de Downing Street. A saída ocorre menos de dois anos depois de uma vitória eleitoral histórica que prometia encerrar o ciclo de instabilidade política no país, e coloca o Reino Unido diante da perspectiva de ter seu sétimo primeiro-ministro em dez anos, período que coincide com a saída do país da União Europeia no Brexit, que completou exatamente dez anos esta semana.

Starmer afirmou ter comunicado a decisão ao rei Charles III ainda pela manhã, antes do pronunciamento público. Em seu discurso, reconheceu ter perdido o apoio de seu grupo parlamentar para conduzir o partido trabalhista ao próximo pleito: “A questão que meu partido está levantando agora é se eu sou a pessoa mais indicada para nos liderar nas próximas eleições gerais. Ouvi a resposta do meu grupo parlamentar a essa pergunta e aceito essa resposta com dignidade”, declarou. Ele encerrou a fala dizendo que deixará o maior cargo do país para se dedicar ao que considera seu trabalho mais importante, o de pai e marido.

A pressão sobre Starmer se intensificou após a vitória expressiva de Andy Burnham, ex-prefeito da Grande Manchester, em uma disputa por uma cadeira parlamentar no noroeste da Inglaterra na sexta, 19, com dezenas de deputados e ministros pedindo nos bastidores que o premiê estabelecesse um cronograma de saída para abrir caminho ao rival. Com posições mais à esquerda dentro do Partido Trabalhista, Burnham é o político mais popular do país no momento, segundo as pesquisas, e é apontado como favorito indiscutível para assumir o cargo. As indicações oficiais para a sucessão serão abertas em 9 de julho, com a posse do novo líder prevista para antes do retorno do Parlamento em setembro.

Desde que chegou ao poder em julho de 2024, a popularidade de Starmer não parou de cair, em um cenário de economia estagnada e aumento do custo de vida. O governo trabalhista sofreu um grande revés nas eleições municipais de maio, quando perdeu quase 1.500 vereadores, e vários ministros renunciaram. O escândalo envolvendo a nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington, – apesar de seus vínculos com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein -, também pesou sobre a gestão, causando a demissão de três altos funcionários do gabinete em uma única semana.

A relação com os Estados Unidos também se deteriorou nos últimos meses: Starmer não apoiou de forma entusiasmada a causa americana na guerra no Irã e demorou a autorizar o uso de bases britânicas pelos EUA, o que irritou o presidente Donald Trump, que chegou a antecipar publicamente a renúncia do premiê no domingo, desejando-lhe “tudo de bom”. Starmer permanecerá no cargo até a conclusão do processo sucessório.

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