O advogado e empresário Abelardo De La Espriella venceu neste domingo, 21, o segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia, segundo apuração preliminar, superando o adversário de esquerda Iván Cepeda e encerrando o ciclo do primeiro governo de esquerda da história do país. Com 99,93% das urnas apuradas, De La Espriella tinha 49,65% dos votos contra 48,70% de Cepeda, diferença de menos de 250 mil votos. A contagem oficial, exigida pela lei colombiana e supervisionada por tabeliães e juízes, ainda precisa ser concluída, e a campanha de Cepeda anunciou que contestará os resultados de mais de 30 mil urnas.
De La Espriella não tem experiência política prévia e utilizou uma retórica de cunho militar ao longo da campanha. Ele se autodenomina “o Tigre”, chama seu movimento de “Defensores da Pátria” e defende a construção de megaprisões, o fortalecimento das Forças Armadas e uma relação mais próxima com os Estados Unidos. O candidato prometeu encerrar as negociações com grupos rebeldes e armados iniciadas pelo governo Petro, impulsionar o setor de petróleo e gás, reduzir impostos e cortar em até 40% o tamanho do aparato estatal, ao mesmo tempo em que garantiu preservar o aumento de 23% no salário mínimo e outras medidas sociais populares do governo atual.
De La Espriella recebeu apoio de líderes da direita latino-americana, como Javier Milei, da Argentina, e José Kast, do Chile, além do presidente dos EUA, Donald Trump. Ao comemorar o resultado em Barranquilla, o candidato afirmou já ter recebido ligação de Trump e prometeu governar para todos os colombianos. Ele pediu a defesa dos votos e afirmou que muitos países estão comentando o resultado da eleição.
A vitória de De La Espriella tem potencial para influenciar o cenário político sul-americano. Para analistas, a chegada do candidato ao poder pode ampliar a influência dos EUA na região. Segundo o instituto Ideia, a eleição funcionou como um referendo do governo Petro, cuja aprovação melhorou durante a campanha, mas não o suficiente para garantir a vitória do candidato governista. A disputa acirrada, com margem inferior a um ponto percentual, deve obrigar De La Espriella a buscar acordos com um Congresso dividido, onde o partido governista Pacto Histórico mantém mais cadeiras do que qualquer outra legenda. De La Espriella toma posse em 7 de agosto.


Be the first to comment