ONU cobra transparência ambiental de empresas de IA e alerta para consumo crescente de energia e água

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, lançou nesta terça, 23, uma iniciativa internacional para ampliar a transparência ambiental no setor de inteligência artificial (IA). A proposta exige que empresas responsáveis por grandes centros de processamento de dados divulguem publicamente o impacto de suas operações sobre o consumo de energia, água, emissão de carbono e uso de terras, além de adotarem energia renovável em suas instalações até 2030.

O anúncio foi feito durante a Semana de Ação Climática de Londres, em meio ao crescimento acelerado da infraestrutura necessária para sustentar o avanço das tecnologias de inteligência artificial. Nos últimos anos, a expansão dos chamados data centers tem despertado preocupação entre ambientalistas e especialistas devido à elevada demanda por recursos naturais e à escassez de informações sobre os impactos ambientais dessas operações.

Segundo Guterres, o avanço da IA não pode ocorrer sem que haja responsabilidade ambiental por parte das empresas do setor. O secretário-geral destacou que, mantido o ritmo atual de crescimento, os centros de dados poderão atingir níveis de consumo energético sem precedentes até o final da década.

“Até 2030, eles poderão consumir mais energia do que todos os países do mundo, com exceção de cinco, além de utilizar água suficiente para suprir as necessidades básicas de toda a população da África Subsaariana por um ano”, alertou o chefe da ONU.

A iniciativa, denominada Transparência Ambiental em IA, busca estabelecer padrões de prestação de contas para as empresas que desenvolvem e operam sistemas de inteligência artificial. Entre os compromissos defendidos pela ONU está a medição contínua dos impactos ambientais das atividades e a divulgação periódica dessas informações à sociedade.

Guterres afirmou que a inovação tecnológica precisa caminhar lado a lado com a sustentabilidade. Para ele, a sociedade deve conhecer os custos ambientais associados ao desenvolvimento da inteligência artificial para que seja possível equilibrar progresso tecnológico e preservação dos recursos naturais.

Atualmente, muitas empresas do setor adotam compromissos voluntários voltados à neutralização das emissões de carbono e ao aumento do uso de fontes renováveis de energia. No entanto, diante da crescente demanda energética dos data centers, algumas companhias também têm recorrido a projetos baseados em gás natural e à ampliação de investimentos em energia nuclear para garantir o abastecimento de futuras instalações.

Durante o evento, o secretário-geral também reforçou as preocupações da ONU com o cumprimento das metas climáticas globais. Segundo ele, o mundo continua distante dos objetivos estabelecidos para limitar o aquecimento global e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Guterres criticou ainda discursos favoráveis à ampliação do uso de combustíveis fósseis e defendeu a aceleração dos investimentos em energias renováveis. De acordo com o líder da ONU, ampliar a geração limpa e utilizá-la para eletrificar setores como transporte, edificações e indústria representa uma das formas mais rápidas de reduzir emissões e diminuir a dependência de fontes energéticas poluentes.

A nova iniciativa surge em um momento em que a inteligência artificial se consolida como uma das tecnologias mais transformadoras da economia global, aumentando o debate sobre os desafios ambientais associados à sua expansão.

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