PCDF e MPDFT prendem 7 em operação contra esquema de descontos ilegais que lesou 3,5 mil aposentados e pensionistas do DF no BRB

Um golpe silencioso tirava dinheiro todo mês das contas de aposentados e pensionistas do Governo do Distrito Federal sem que muitos deles soubessem, e pelo menos 3,5 mil pessoas foram vítimas do esquema antes que a Polícia Civil e o Ministério Público do DF agissem. A Operação Parasitas, deflagrada nesta terça, 23, cumpriu quatro mandados de prisão temporária, três de prisão preventiva e dez de busca e apreensão no DF,  nas regiões do Plano Piloto, Asa Sul, Asa Norte, Recanto das Emas, Brazlândia e Jardim Botânico, em Belo Horizonte e Igaratinga, em Minas Gerais. O prejuízo estimado supera R$ 5 milhões.

Entre os sete presos estão três servidores do BRB que atuavam nos setores responsáveis pela autorização e renovação de débitos automáticos. Segundo as investigações, eles participavam da operacionalização dos descontos e da manutenção da estrutura usada para arrecadar os valores, entrando em contato com aposentados e apresentando transcrições falsas de ligações para simular autorização dos débitos. A Justiça deferiu pedido da PCDF para afastá-los das atividades ligadas a operações financeiras, com a cassação das procurações que os autorizavam a assinar contratos e conceder empréstimos.

A principal associação investigada é a Cassisp, criada em 2024 e que firmou convênio com o BRB para cobrar automaticamente mensalidades associativas e planos de assistência jurídica diretamente das contas dos clientes, com supostas autorizações obtidas por telefone, sem comprovação adequada da identidade dos correntistas nem confirmação real do consentimento para os descontos. O banco teria mantido os débitos mesmo após mais de mil pedidos de cancelamento e reclamações, e entre março de 2025 e fevereiro de 2026 o esquema teria movimentado mais de R$ 1 milhão em cerca de 20 mil débitos processados.

O esquema guarda semelhanças com o descoberto pela Polícia Federal no INSS, que também envolvia contratação fraudulenta de descontos automáticos por entidades associativas, no caso federal, o desvio somou mais de R$ 6 bilhões e atingiu seis milhões de pessoas. A Operação Parasitas ocorre dias após outra ação coordenada pelo MPDFT, a Operação Juros Zero, realizada na última sexta, 19, que também apurou descontos irregulares na folha de servidores do GDF e teve entre seus alvos o BRB, a BRB Serviços S.A., o PicPay, a Secretaria de Economia do DF e o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF).

As investigações criminais prosseguem para identificar outros participantes do esquema e quantificar com precisão o volume total desviado. Em paralelo, o inquérito civil público conduzido pela Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) também continua em aberto. Servidores do GDF que identifiquem descontos não reconhecidos em suas contas no BRB podem registrar reclamação nos canais do banco ou acionar o MPDFT.

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