Carros elétricos e híbridos terão imposto de 35% a partir de 2027 e devem ficar mais caros

Em julho de 2026, entra em vigor a alíquota máxima de 35% de imposto de importação sobre veículos elétricos e híbridos prontos no Brasil, encerrando o cronograma de reoneração gradual definido pelo governo federal. Para os veículos que chegam desmontados ao país, os chamados kits CKD e SKD, usados por montadoras como BYD e GWM enquanto estruturavam fábricas no Brasil, a alíquota de 35% passa a valer a partir de janeiro de 2027, com antecipação em relação à previsão anterior, que era julho de 2028. O resultado prático é que o consumidor que planeja comprar um elétrico ou híbrido nos próximos meses deve se preparar para pagar mais.

Outras alíquotas já estão em vigor desde julho de 2025: 30% para híbridos, 28% para híbridos plug-in e 25% para elétricos, todas com previsão de atingir o teto de 35%. A elevação gradual das tarifas faz parte de uma política desenhada pelo governo federal para incentivar a produção local dos veículos eletrificados, reduzindo a dependência da importação, especialmente de modelos chineses, que dominaram as vendas no período de isenção fiscal.

A antecipação do cronograma atende parcialmente a um pedido da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e a uma pressão das montadoras tradicionais instaladas no Brasil. Na véspera da deliberação, Volkswagen, Stellantis, General Motors e Toyota enviaram carta conjunta ao presidente Lula cobrando igualdade de condições competitivas, sem privilégios para veículos importados ou produzidos com subsídios no exterior. A BYD respondeu com carta aberta classificando as montadoras tradicionais de “dinossauros” e se autodenominando um “meteoro” no setor automotivo brasileiro.

Para o consumidor, o efeito vai além do preço do zero km. Sem conseguir trocar de carro, o comprador deve segurar o veículo atual por mais tempo, elevando a demanda por manutenção, setor ainda imaturo para elétricos fora das grandes capitais, com escassez de mão de obra especializada e peças de reposição caras. Os componentes mais vulneráveis ao repasse de custos são justamente os mais caros do sistema, como módulos eletrônicos, inversores e baterias, para os quais não há alternativa fora da concessionária.

Algumas montadoras aceleraram a produção local para reduzir o impacto das novas tarifas. Ainda assim, o cenário indica que a janela de compra de elétricos e híbridos a preços mais acessíveis está se fechando, e quem deixar para 2027 deve encontrar um mercado significativamente mais caro.

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