O funeral do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã morto em ataques aéreos conjuntos dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, teve nesta segunda, 6, sua maior procissão até agora, com multidões se aglomerando no centro de Teerã para acompanhar a passagem dos caixões de Khamenei e de quatro membros de sua família, também mortos no ataque. Imagens aéreas da emissora estatal iraniana IRIB mostraram a dimensão da concentração popular, em mais uma etapa de uma semana de grandes cerimônias fúnebres no país.
Khamenei, de 86 anos, governou o Irã por quase quatro décadas e foi morto no início da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, num ataque que também matou sua neta de 14 meses e outros familiares. O funeral, adiado por meses em razão do conflito, começou oficialmente no sábado (4) na Grande Mesquita Mosalla do Imam Khomeini, em Teerã, com a presença de delegações estrangeiras, entre elas o ex-presidente russo Dmitri Medvedev e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. Segundo a agência AP, parte dos presentes à procissão desta segunda bateu no peito em sinal de luto e gritou frases como “nossa palavra é uma só, vingança, vingança”.
Um integrante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou à emissora americana NBC News que a guerra “não estará terminada” para o grupo até que a morte de Khamenei seja vingada. As negociações entre Washington e Teerã por um acordo permanente de paz — que também previa a reabertura total do Estreito de Hormuz, estão suspensas até o fim das cerimônias fúnebres. Mojtaba Khamenei, filho do líder morto e nomeado seu sucessor pela Assembleia de Especialistas em março, não apareceu publicamente nem se pronunciou desde o início da guerra; segundo a NBC, a extensão dos ferimentos que teria sofrido no mesmo ataque permanece desconhecida.
A reação da população iraniana ao funeral é dividida. Enquanto setores ligados ao regime tratam o velório como demonstração de força e fé, outros iranianos, incluindo familiares de vítimas de repressões anteriores, relataram à rádio NPR que a cerimônia não representa alívio ou luto genuíno. Organizações de direitos humanos, como a HRANA, atribuem à Guarda Revolucionária a responsabilidade pela morte de milhares de manifestantes durante protestos antigoverno ocorridos a partir de dezembro de 2025.
Após passar por Teerã, o cortejo deve seguir para a cidade de Qom e, em seguida, cruzar para o Iraque, com paradas nas cidades sagradas xiitas de Najaf e Karbala, antes do retorno do corpo ao Irã. O sepultamento está previsto para esta quinta, 9, em Mashhad, cidade natal de Khamenei, no santuário do Imam Reza.


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