A Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência definitiva da LSH Barra Empreendimentos Imobiliários, empresa que ficou conhecida por planejar a construção de um hotel da rede Trump na Barra da Tijuca e que teve como CEO o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo. A decisão ocorre cerca de um ano e meio depois de a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenar Figueiredo por operações fraudulentas cometidas durante sua gestão à frente da companhia.
Entre 2014 e 2016, o Fundo de Investimentos e Participações (FIP) LSH captou cerca de R$ 200 milhões de dez institutos de previdência estaduais e municipais, além do fundo de pensão dos servidores do Serpro, para financiar o empreendimento. Segundo a CVM, avaliações artificiais infladas permitiram que os sócios fundadores, Figueiredo, Arthur Soares (o “Rei Arthur”) e Ricardo Rodrigues, o “Ricardo Gordo” — vendessem suas participações por preços muito superiores ao valor real para fundos de previdência que desconheciam a real situação financeira do projeto. A autarquia estima em cerca de R$ 400 milhões, em valores atualizados, a transferência indevida de recursos dos investidores institucionais para os controladores. Por essas infrações, Figueiredo foi multado pela CVM em valores que somam R$ 81 milhões, enquanto Ricardo Rodrigues recebeu multa de R$ 53 milhões.
O hotel foi inaugurado de forma incompleta em 2016, com apenas 75 dos 170 quartos previstos, e perdeu a marca Trump ainda no mesmo período, depois de o operador americano considerar o empreendimento abaixo do padrão de luxo prometido. A companhia entrou em recuperação judicial em 2019; um plano chegou a ser aprovado por credores em 2025, mas a Justiça anulou o voto favorável de Figueiredo por causa de sua condenação na CVM, o que levou à rejeição do plano pela classe trabalhista e, por fim, à decretação da falência.
Na esfera criminal, o processo contra Figueiredo por corrupção ativa, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro foi trancado em março de 2022 pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). O tribunal considerou a denúncia do Ministério Público Federal inepta por não detalhar condutas criminosas específicas atribuídas a Figueiredo, entendendo que a acusação tentava responsabilizá-lo apenas pelo cargo de CEO que ocupava. A defesa também citou depoimento de Ricardo Rodrigues, colaborador da Justiça no processo, segundo o qual Figueiredo não participava das negociações nem dos pagamentos de propina.
Atualmente radicado nos Estados Unidos, onde atua em parceria com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, Figueiredo segue sem manifestação pública sobre a decretação da falência da LSH Barra.


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