IFI projeta déficit de R$ 86,1 bilhões nas contas públicas em 2027

Fachada do Senado Federal, em Brasília, sede da Instituição Fiscal Independente
Foto: Wilma Regina Barrionuevo fez o gráfico, a partir da dabela de Fernanda De Negri, do IPEA. (Wikimedia Commons)

Ao analisar o projeto do Orçamento de 2027, a Instituição Fiscal Independente (IFI) apontou, em relatório divulgado em setembro de 2026, dificuldades para o governo federal atingir a meta de resultado primário.

O projeto da Lei Orçamentária Anual de 2027 prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões. Segundo os cálculos da IFI, essa meta não deve ser cumprida. A instituição projeta, ao contrário, um déficit de R$ 86,1 bilhões.

Para atender formalmente ao objetivo, a IFI estima que o governo terá de manter congelados pelo menos R$ 35,7 bilhões em gastos em 2027. A medida se estenderia por todo o exercício de 2027.

Gastos, dívida e crescimento

As regras orçamentárias associadas ao endividamento não permitem reduzir despesas obrigatórias. Sem recursos suficientes, as reduções podem atingir obras, investimentos e serviços públicos, segundo a IFI.

A dívida do setor público corresponde hoje a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Para o encerramento de 2027, a projeção da IFI indica possível alta para 86,4% do PIB.

A estimativa do governo para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2027 é de 2,5%. A IFI calcula expansão de 1,8% para o mesmo ano e aponta impactos na geração de emprego e renda.

Segundo a IFI, o projeto de 2027 assegura, sob responsabilidade do Executivo, os principais programas sociais e as principais ações de distribuição de renda. O projeto lista as seguintes dotações:

  • Bolsa Família: previsão de R$ 157,1 bilhões
  • Benefício de Prestação Continuada (BPC): R$ 145,1 bilhões
  • Abono salarial e seguro-desemprego: R$ 104,7 bilhões
  • Pé-de-Meia, voltado a alunos do ensino médio público: R$ 10,5 bilhões

A proposta reserva R$ 97,7 bilhões para precatórios em 2027. Esse montante é R$ 24,6 bilhões menor que o previsto para 2026.

O projeto foi encaminhado pelo governo ao Congresso em agosto de 2026. O texto será examinado pelos parlamentares.

A IFI foi criada no Senado em 2016. A instituição divulga, a cada mês, relatórios sobre o quadro fiscal e orçamentário do país.

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