Lula rebate Trump e defende retomada de territórios no Rio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou nesta sexta-feira (18) a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. Durante um evento sobre segurança pública no Rio de Janeiro, Lula também rebateu as críticas de Donald Trump ao combate brasileiro ao crime organizado e defendeu a retomada de áreas controladas por facções.

“Eu não aceito a ideia de que as facções são terroristas, como diz o Trump”, afirmou Lula. A declaração ocorreu dois dias depois de um relatório do governo norte-americano enviado ao Congresso dos EUA apontar que o Brasil teria falhado no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho. O documento afirma que as duas organizações transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína. O governo brasileiro contestou a avaliação e negou falhas ou omissões no combate ao crime organizado.

Ao comentar o conceito de terrorismo utilizado por Trump, Lula fez referência às investigações sobre a tentativa de golpe após as eleições de 2022. O presidente afirmou que o planejamento para matar ele próprio, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, citado nas investigações da Polícia Federal, seria um exemplo de terrorismo de Estado. A fala foi apresentada por Lula como contraponto à classificação das facções brasileiras feita pelos Estados Unidos.

No mesmo evento, o governo federal apresentou uma estratégia de atuação integrada com o governo do Rio de Janeiro e a prefeitura para enfrentar organizações criminosas e retomar áreas sob domínio de facções, milícias e outras atividades ilegais. As medidas incluem compartilhamento de inteligência, integração das forças de segurança e ações em corredores estratégicos, como a Avenida Brasil, a Linha Vermelha, a Linha Amarela e acessos ao Porto e ao Aeroporto Internacional.

O governador interino do Rio, Ricardo Couto, defendeu a atuação conjunta entre as diferentes esferas de governo e afirmou que o estado tem condições de conduzir sua política de segurança sem tutela externa. A iniciativa apresentada no Rio pretende integrar União, estado e município no combate ao crime organizado, enquanto o governo brasileiro mantém a contestação à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

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