Fifa diz que 20% dos abusos categorizados na Copa foram racistas

Torcedores usam celulares em estádio durante a Copa do Mundo de 2026
FOTO: DIVULGAÇÃO

A Fifa informou nnesta última sexta, 9, que 20% dos abusos categorizados nas redes sociais durante a Copa do Mundo de 2026 eram racistas, segundo análise de mais de 17 milhões de publicações e comentários feita pelo seu Serviço de Proteção de Mídias Sociais.

Do total examinado, 477 mil itens foram encaminhados à revisão humana depois da triagem automatizada, e 240 mil foram verificados como abusivos. A entidade esclarece que o índice de 20% considera apenas os casos categorizados e não inclui os classificados como abuso geral. Ameaças violentas apareceram em 14% dos conteúdos abusivos e ataques xenofóbicos em 12%.

De acordo com a Fifa, as 240.676 postagens ofensivas tiveram como alvo 812 pessoas, o equivalente a 50,6% dos envolvidos no evento. O monitoramento abrangeu as contas oficiais das 48 seleções e os perfis de 1.606 pessoas ligadas ao torneio, entre elas 1.248 atletas, 188 treinadores e integrantes de comissões técnicas e 170 oficiais de arbitragem, nas plataformas X, Instagram, Facebook e TikTok. O torneio foi disputado de 11 de junho a 19 de julho.

Além da análise das publicações, o serviço usa tecnologia para ocultar conteúdos indesejados, como comentários ofensivos e spam, antes que cheguem ao público. A ferramenta automatizada examinou 60,7 milhões de mensagens nas plataformas oficiais da Fifa e nos canais das associações participantes, e bloqueou 9,2 milhões, ou 15% do total. A Fifa afirma que o serviço também identificou imagens ofensivas geradas por inteligência artificial, retiradas com a atuação das plataformas, e protegeu oficiais de arbitragem contra doxxing, prática de divulgar dados pessoais de alguém para estimular novos ataques.

Segundo a entidade, 2.905 contas atingiram o limite para potencial investigação criminal. Dessas, 786 foram encaminhadas às autoridades e 232, por terem publicado conteúdo considerado de extrema gravidade e ameaçador, receberam prioridade.

Os dados foram divulgados na véspera do Dia Mundial da Saúde Mental, e a Fifa relacionou o abuso on-line a possíveis efeitos como ansiedade, estresse crônico e depressão. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, reafirmou o compromisso da entidade de proteger a comunidade do futebol contra o ódio nas redes e de usar tecnologia para enfrentar conteúdos produzidos por pessoas e imagens geradas por inteligência artificial.

Na comparação com a Copa de 2022, a moderação automática passou a abranger 60,7 milhões de mensagens, ante 13,7 milhões no torneio anterior; a Fifa atribuiu parte da alta às melhorias na inteligência artificial. A revisão humana recebeu 477 mil conteúdos, contra 434 mil em 2022. Já na fase de grupos de 2026, 225 mil conteúdos foram encaminhados para análise, que identificou 89 mil publicações abusivas; os ataques raciais representavam 11% das mensagens ofensivas detectadas.

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