Navi Pillay recebe Nobel da Paz e premiação provoca reações de Trump e Israel

A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, foi escolhida para receber o Prêmio Nobel da Paz de 2026 por sua atuação em defesa da paz, do direito internacional e da responsabilização por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. O anúncio foi feito na última sexta, 9, pelo Comitê Norueguês do Nobel, que concedeu à jurista um prêmio de 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6,2 milhões.

Ex-alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos e ex-juíza do Tribunal Penal Internacional, Pillay construiu a carreira na luta contra o apartheid na África do Sul e posteriormente atuou no Tribunal Penal Internacional para Ruanda. Nesse período, participou de decisões que ajudaram a consolidar juridicamente o entendimento de que estupro e violência sexual podem constituir crimes contra a humanidade e atos de genocídio. Atualmente, ela atua como juíza ad hoc na Corte Internacional de Justiça no processo em que Gâmbia acusa Mianmar de genocídio contra a minoria rohingya.

Pillay recebeu a notícia enquanto participava de um encontro sobre crimes internacionais em Nuremberg, na Alemanha, cidade onde ocorreram os julgamentos de líderes nazistas após a Segunda Guerra Mundial. Em sua primeira manifestação após o anúncio, dedicou o prêmio às vítimas de crimes internacionais e às pessoas que trabalham pela defesa da justiça. O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, classificou a premiação como um reconhecimento à coragem, à integridade e à trajetória da jurista.

A escolha também provocou reações políticas. Pillay presidiu uma comissão independente da ONU que concluiu, em 2025, que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza, acusação rejeitada pelo governo israelense. Após o anúncio do Nobel, Israel criticou a decisão do comitê. Nos Estados Unidos, Donald Trump também atacou a escolha, afirmou que o prêmio havia sido desmoralizado e voltou a reclamar por não ter recebido a honraria. Horas depois, o governo norte-americano anunciou novas sanções contra o Tribunal Penal Internacional, instituição na qual Pillay atuou entre 2003 e 2008.

O Comitê Norueguês do Nobel afirmou que a escolha ocorre em um momento de crescente pressão sobre tribunais e instituições internacionais. Para o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, a responsabilização por crimes internacionais é parte essencial da construção da paz. Pillay sucede María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz de 2025, e receberá oficialmente o prêmio em 10 de dezembro, em Oslo.

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