PF prende mulher e filho de Marcinho VP em operação no Rio

Agentes da Polícia Federal durante operação no Rio de Janeiro
FOTO: DIVULGAÇÃO

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta segunda, 19, Márcia Gama Nepomuceno, mulher de Marcinho VP, e Lucas dos Santos Nepomuceno, filho do casal, na Operação Backbone, no Rio de Janeiro. A ação cumpre 23 ordens de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão contra pessoas que, segundo a PF, impõem monopólio de internet em áreas dominadas pelo Comando Vermelho.

Márcia, mãe do rapper Oruam, e Lucas eram alvos de mandados de prisão determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e foram levados à sede da Superintendência da PF no Rio. Até o início da tarde, a corporação havia cumprido 20 dos 23 mandados, entre eles o dirigido a Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que já está preso na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), onde cumpre pena. A PF informou que parte dos mandados de prisão está sendo cumprida em unidades do sistema prisional, entre elas uma do Sistema Penitenciário Federal.

A PF afirma que o grupo investigado impõe monopólio na oferta de internet nas áreas do Alemão, da Penha e do Chapadão, e que a influência se estende a bairros da Zona Norte como Pavuna, Anchieta, Ricardo de Albuquerque, Costa Barros e Guadalupe. Segundo a corporação, o domínio é mantido com armas e ameaças contra moradores. De acordo com a PF, as investigações apontam que criminosos armados cortam cabos, queimam caixas de distribuição de provedores concorrentes e impedem reparos, além de forçar moradores e comerciantes a contratar o serviço da facção.

A PF diz ainda que o grupo lava dinheiro com o uso de produtoras de eventos e de empresas de publicidade, além de imóveis de alto padrão pagos com dinheiro e criptoativos. Em um só mês, segundo a corporação, a cobrança pela internet respondeu por mais de 40% da arrecadação do grupo no Complexo da Penha. Os investigados poderão responder, segundo a PF, por crimes como domínio social estruturado, extorsão majorada, interrupção de serviço telemático, lavagem de dinheiro, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e atentado contra a segurança de serviços de utilidade pública. As informações divulgadas não detalham quais desses crimes são atribuídos a Márcia ou a Lucas.

Além das prisões, a Justiça mandou bloquear bens e valores de 40 pessoas físicas e 42 empresas, num total de até R$ 558 milhões, e suspender as atividades das pessoas jurídicas, entre as quais provedores de internet, produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e empresas de fachada. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será oficiada para cassar as outorgas e interditar os serviços das empresas, além de adotar providências para manter o serviço aos moradores. Os alvos estavam no Rio, em Nova Iguaçu, São João de Meriti, Magé, Teresópolis e Maricá.

Flávio Fernandes, advogado de Márcia, afirmou que não teve acesso aos autos da investigação e, por esse motivo, não podia comentar a prisão. Ele também disse: “Márcia não tem nenhum envolvimento com empresas deste tipo de atuação. As empresas com o nome da Márcia são todas legalizadas.” A defesa de Lucas não foi localizada.

A PF informou que a Backbone integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela corporação, com o objetivo de “combater organizações criminosas atuantes no estado do Rio de Janeiro, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635”. Marcinho VP completou 30 anos de detenção em 2026 e, em maio deste ano, foi denunciado pelo Ministério Público junto com a mulher e o filho Oruam. PF desmontou em junho um núcleo financeiro do Comando Vermelho, e outra operação prendeu um líder da facção na Baixada Fluminense. Mais notícias na editoria Brasil.

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