⇒Crônica de um encontro⇐
Nosso encontro neste mês de outubro começou às 19 horas, do dia 09. Timidamente, porque muitos que confirmaram durante a semana, justificaram a desistência de última hora. Que pena! Fizeram falta! Mas a magia aconteceu!
O fato de saber que a premissa é a nostalgia, é contar fatos passados, é lembrar lances marcantes, faz com que o sorriso seja constante e a interação se torne mais energizada.
Além disso, estava tudo impecável: o local acolhedor; os pratos caprichados, como sempre; o atendimento nota mil; a acolhida simpática que o Zezinho nos dispensa evidenciando sua educação e simpatia…
Quando deu 20 horas, percebemos que seríamos poucos. Foi comentado: “que pena, muitos não puderam vir”. E ouvimos: “quem não veio perdeu…” Todos concordamos! Já tivemos encontro pouco concorrido assim. Acontece!
A voz possante, o som e as melodias selecionadas pelo cantor Luís Roberto, nosso conhecido de outros encontros, muitas vezes deram o mote para nossas conversas. A saudade maior ficou por conta do rostinho colado…
Lembramos como foi maravilhoso ter o privilégio de ser jovem quando era permitido ser feliz de rostinho colado, seguindo o som da melodia compassado no ritmo dos corações dos enamorados. Ô tempo bom!!!! Atire o primeiro long play aquele que não tem saudade de dançar de rostinho colado…
Lembrei-me de uma festinha, num sábado, na casa da Armildes Correa de Brito, no tempo quando ela morou na QNA. Éramos jovens e sempre saíamos à cata de festinhas. E sempre encontrávamos!
A casa não comportava o tanto de jovens que se espalhavam na garagem, no corredor ao lado, na calçada, observando outros que dançavam na sala. Ainda eram poucos os casais que se exibiam. A festinha tinha acabado de começar.
Aí, alguém pôs o disco novo do Roberto – foi a primeira vez que ouvi a música “Eu te amo” – e começou um quase tumulto, pois os apaixonados se sentiram impelidos a atender ao chamado da música romântica e tentavam alcançar a sala para dançar, abraçadinhos, de rostinho colado e apertos espaçados, carinhosos, nas mãos de dedos entrelaçados…
Taguatinga, com toda aquela feiura do improviso dos anos iniciais, virava nosso estupendo cenário hollywoodiano, em cinemascope, ilha fantasiosa de emoções e êxtase pairando no ar, suspensa por estrelas que iluminavam nossos sonhos singelos de caçadores de ilusões.
Fomos felizes! E sabíamos ser felizes!
Pois só se é jovem uma vez, uma vez que pode ser estendida, feito um elástico mágico que estica e estica e estica e não arrebenta porque é lubrificado com o néctar das doces lembranças.


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