A escalada da violência de gênero no mundo levou a ONU a fazer um dos alertas mais duros dos últimos anos. O alto comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou o cenário como uma “emergência global” e cobrou respostas imediatas dos países para garantir proteção às vítimas e punição aos responsáveis.
Segundo ele, cerca de 50 mil mulheres e meninas foram assassinadas em 2024, na maioria dos casos por pessoas do próprio círculo familiar. Em discurso no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, o representante destacou que crimes de grande repercussão internacional revelam apenas uma parte de um problema estrutural e disseminado.
Türk citou como exemplos o caso de Gisèle Pelicot, na França, drogada e violentada durante anos por homens recrutados pelo então marido, e o escândalo envolvendo Jeffrey Epstein, nos Estados Unidos. Para ele, essas situações expõem sistemas sociais que silenciam vítimas e dificultam a responsabilização de agressores com poder e influência.
O alto comissário também alertou para o avanço de ameaças mais amplas aos direitos humanos, com o aumento dos conflitos armados e a normalização do uso da força nas relações internacionais. De acordo com Türk, o número de guerras quase dobrou desde 2010, contribuindo para o que chamou de um “deserto de direitos humanos” em diversas regiões.
Ao encerrar sua fala, o representante da ONU pediu investigações sem favorecimento, apoio às sobreviventes e respeito ao direito internacional. Ele destacou que a indiferença diante de atrocidades, como os ataques cada vez mais frequentes a hospitais, enfraquece os mecanismos globais de proteção e torna o mundo mais inseguro.


Be the first to comment