O Irã demonstrou, nesta quinta,23, o reforço de seu controle sobre o estratégico Estreito de Ormuz ao divulgar imagens de uma operação militar contra navios cargueiros, em meio ao fracasso das negociações de paz com os Estados Unidos. A ação ocorre após o fim de um cessar-fogo de duas semanas e agrava o cenário de instabilidade em uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.
Imagens exibidas pela televisão estatal iraniana mostram tropas mascaradas abordando o navio MSC Francesca, utilizando uma lancha e escalando o casco com cordas antes de invadir a embarcação armados com rifles. Outro navio, o Epaminondas, também aparece nas gravações. Teerã afirma que ambos foram interceptados por tentarem cruzar o estreito sem autorização.
Autoridades iranianas indicaram ainda a implementação de um sistema de pedágio para embarcações que utilizam a rota. O vice-presidente do parlamento, Hamidreza Hajibabaei, declarou que a primeira receita já foi transferida ao banco central, sem detalhar valores ou origem do pagamento. Já o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei, afirmou que os navios abordados “responderam perante a lei”.
O controle iraniano sobre o estreito se intensificou após o início do conflito envolvendo Israel e os Estados Unidos, em fevereiro. Segundo Teerã, a passagem segue bloqueada para embarcações estrangeiras até que Washington suspenda restrições à navegação iraniana, consideradas uma violação do cessar-fogo.
Fontes de segurança indicam que forças americanas interceptaram ao menos três petroleiros iranianos em águas próximas à Ásia, redirecionando-os para longe de rotas estratégicas. O presidente Donald Trump recuou de ameaças de novos ataques ao final da trégua, mas manteve o bloqueio marítimo, sem anunciar retomada das negociações, o que amplia a incerteza sobre a estabilidade na região e os impactos no mercado global de energia.


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