O DF parece sofrer de amnésia, quando se refere à política na cidade. Em um vai e vem de postulantes à chefia o Executivo local, diga-se ao Palácio do Buriti, parte da população esquece rapidamente dos escândalos e de nomes de figuras públicas envolvidas em casos de corrupção.
No próximo pleito, entre os que se colocam na disputa pelo governo do DF, ao menos dois candidatos terão de se desdobrar para convencer o eleitorado de que não possuem ligação com episódios controversos recentes. Em um dos casos, a tarefa beira o impossível, diante de condenações já transitadas em julgado no âmbito da Justiça Eleitoral.
Enquanto isso, a candidata da situação parece navegar com tranquilidade, como se não houvesse ameaça na corrida ao próximo mandato do Executivo.
Mas a realidade é outra. Após o escândalo envolvendo o Banco Master, a atual chefe do Executivo, à época vice-governadora, deve explicações mais consistentes sobre sua atuação no período. A questão central não é apenas jurídica, mas política: qual foi, de fato, seu papel diante de decisões que envolveram cifras bilionárias e hoje levantam questionamentos relevantes?
A resposta apresentada até agora, de que não teria responsabilidade sobre os acontecimentos, soa insuficiente para parte da opinião pública. Falta clareza sobre sua posição dentro da estrutura de governo naquele momento e sobre até que ponto houve omissão ou desconhecimento.
A inércia, frente ao que vinha acontecendo na cúpula do Executivo, deixa o DF hoje com um rombo bilionário. As contas públicas do governo não fecham, deixando a pergunta ainda em aberto: até onde teve Celina participação no maior esquema de corrupção do país, envolvendo os altos escalões do governo, do judiciário, com participação da cúpula do GDF?
Em outubro de 2026, o eleitor deve olhar atentamente não para discursos vazios, e explicações inconsistentes, mas aos fatos que se revelam por si só. Afinal, não se pode morar em uma casa sem saber o que o chefe ali faz.


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