OMS declara emergência global de saúde por surto de ebola causado por variante rara sem vacina no Congo e Uganda

A Organização Mundial da Saúde declarou o surto de ebola da variante Bundibugyo uma emergência de saúde pública de interesse internacional, após a confirmação de casos nas capitais do leste da República Democrática do Congo e em Uganda. Até 16 de maio, foram registrados oito casos confirmados laboratorialmente, 246 casos suspeitos e ao menos 80 mortes suspeitas na província de Ituri, no leste do Congo. Os números atualizados pelo ministro congolês da Saúde, Samuel Roger Kamba, chegam a 513 casos suspeitos e 131 mortes, o que, combinado à alta taxa de amostras positivas, leva a OMS a alertar que o surto real pode ser “potencialmente muito maior” do que o detectado.

O surto teve origem na zona sanitária de Mongbwalu, na província de Ituri, uma área de alta circulação de pessoas, ligada à mineração, com o primeiro caso conhecido sendo um profissional de saúde que apresentou sintomas em 24 de abril e morreu em um centro médico em Bunia. Entre as vítimas fatais estão pelo menos quatro profissionais de saúde, o que levanta preocupações sobre transmissão em unidades de saúde e falhas nas medidas de segurança. Em Uganda, dois casos importados foram confirmados em Kampala, sem identificação de transmissão local até o momento.

O principal desafio da resposta ao surto é a ausência de vacinas ou tratamentos aprovados para a variante Bundibugyo. Esta é apenas a terceira vez que o vírus Bundibugyo é detectado: a primeira foi em 2007-2008 em Uganda, com 149 infectados e 37 mortes; a segunda em 2012, no Congo, com 57 casos e 29 mortes. Existe a vacina Ervebo, da Merck, eficaz contra a cepa Ebola Zaire, que demonstrou alguma proteção contra o Bundibugyo em estudos com animais, mas sua aplicação neste surto ainda depende de avaliação do painel de especialistas convocado pela OMS para esta terça, 19. Os primeiros testes realizados em campo apresentaram resultados negativos porque os equipamentos disponíveis identificavam apenas a variante Zaire, a única para a qual existe vacina aprovada.

A OMS reconhece incertezas significativas sobre o número real de infectados e a extensão geográfica do surto, com casos identificados em novas áreas como Butembo, no Kivu do Norte, e na cidade de Goma. A organização aconselha contra o fechamento de fronteiras e classifica a situação como emergência de saúde pública de importância internacional, o segundo nível mais elevado de alerta, mas deixa claro que o evento não atende aos critérios de uma emergência pandêmica. O vírus ebola se transmite pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e apresenta taxa de mortalidade que pode variar entre 25% e 90%, dependendo da cepa e da capacidade de resposta local.

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