Irã fecha Estreito de Ormuz após ataques de Israel no Líbano e acusa EUA de descumprir acordo de paz

O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz ao tráfego de embarcações neste sábado, 20, horas depois de ataques israelenses no Sul do Líbano que, segundo o Ministério da Saúde libanês, deixaram mais de 50 mortos em 24 horas. Para Teerã, a ofensiva representa uma violação do memorando de entendimento assinado na quarta, 17, com os Estados Unidos, que previa justamente o fim das operações militares israelenses em território libanês.

Em comunicado divulgado pela televisão estatal iraniana, o Estado-Maior central de Khatam al-Anbiya, principal comando militar do país, classificou a medida como “uma resposta à violação dos compromissos pelo inimigo” e advertiu que, “se a agressão continuar, novas medidas serão planejadas e implementadas para obrigar o inimigo a cumprir as suas obrigações”. Segundo o texto, os Estados Unidos não garantiram o cumprimento do primeiro dos 14 pontos do memorando, que exigia o cessar das operações israelenses no Líbano.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irã reforçou a posição do governo, afirmando que o país não assinou um acordo com os EUA “para que não fosse cumprido”. Teerã justificou o fechamento do estreito citando a “violação implacável e contínua do cessar-fogo pelo regime sionista no Sul do Líbano” e o deslocamento de civis na região, depois de o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ter descartado na sexta-feira (19) a retirada das forças de ocupação do Sul libanês.

Apesar do anúncio iraniano, os Estados Unidos sustentam que a passagem segue operando normalmente: o Comando Central americano informou que 55 embarcações navegaram pelo estreito neste sábado, transportando 17 milhões de barris de petróleo. No mercado internacional, o petróleo tipo Brent subiu 0,9% na sexta-feira, cotado a US$ 80 o barril, acumulando alta de 7,7% na semana, reflexo da instabilidade na região.

A reabertura do Estreito de Ormuz era um dos pontos previstos no memorando assinado por Trump e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, com vistas ao início de negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, havia afirmado que viajaria à Suíça nos próximos dias para participar das tratativas e disse não haver, até então, qualquer indicação de que o estreito seria fechado.

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