ONU inicia operação para desafogar Estreito de Ormuz e retirar 11 mil marinheiros presos no Golfo

Os primeiros navios já voltaram a cruzar o Estreito de Ormuz sob coordenação da ONU. A Organização Marítima Internacional (OMI) confirmou nesta quarta, 24, que pelo menos dois navios de granéis sólidos e um de carga já atravessaram o estreito nas últimas 12 horas no âmbito do plano de retirada lançado na véspera, e outros 35 navios comerciais estavam se preparando para a travessia, de acordo com dados de rastreamento da London Stock Exchange Group (LSEG) e da MarineTraffic. O movimento representa o primeiro sinal concreto de normalização do tráfego marítimo numa das rotas mais estratégicas do planeta, bloqueada há meses pelo conflito entre Irã e Estados Unidos.

A operação foi anunciada na terça, 23, pelo secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez, após Washington e Teerã assinarem um acordo provisório de paz que permitiu a reabertura da principal rota marítima para o transporte global de petróleo. O plano, elaborado ao longo de meses, visa permitir a saída gradual de centenas de embarcações e de aproximadamente 11 mil marinheiros que ficaram retidos no Golfo Pérsico durante o conflito, enfrentando restrições de navegação e riscos decorrentes dos ataques registrados na região. Dominguez prestou homenagem aos 14 marinheiros que morreram durante a guerra: “Sua dedicação ao serviço do comércio global não será esquecida”, declarou.

O Escritório Hidrográfico Nacional de Omã informou que um corredor marítimo temporário está sendo disponibilizado no estreito. Em vez das rotas habituais de separação de tráfego, os navios serão direcionados por duas vias temporárias de saída, uma ao norte e outra ao sul do traçado existente. As embarcações serão divididas em grupos e contatadas individualmente para receber instruções sobre quando poderão partir, numa retirada faseada e controlada. O tráfego poderá ser temporariamente suspenso por razões de segurança, inclusive para evitar conflitos com navios militares ainda presentes na região.

A iniciativa conta com a participação do Irã, de Omã, de outros países costeiros da região e de representantes da indústria marítima internacional. O Estreito de Ormuz é responsável pelo escoamento de uma parcela significativa do petróleo e do gás natural comercializados globalmente, e o bloqueio da rota nos meses de conflito gerou impactos diretos nos mercados internacionais de energia e no transporte marítimo. Mesmo após o cessar-fogo, Washington e Teerã ainda divergem sobre quem exercerá maior influência sobre o estreito e sobre eventuais taxas de navegação a serem cobradas das embarcações que utilizarem a rota.

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