Linha-dura Russo Pressiona Putin por Guerra Total Enquanto Kremlin Resiste a Abandonar Diplomacia

Irritados com os ataques de drones ucranianos a Moscou, São Petersburgo e à Crimeia, e decepcionados com o que consideram promessas não cumpridas pelos Estados Unidos de intermediar o fim do conflito em termos favoráveis à Rússia, os linha-dura do Kremlin intensificaram a pressão sobre o presidente Vladimir Putin para que abandone a diplomacia e adote uma postura de guerra total contra a Ucrânia. Alguns chegaram a defender o uso de armas nucleares táticas e o bombardeio sistemático de grandes cidades ucranianas até torná-las inabitáveis.

Os apelos não são novidade, mas os recentes ataques com drones, incluindo um que incendiou uma refinaria de petróleo em Moscou, aguçaram o tom das exigências. “O que mais precisa acontecer antes de começarmos a lutar de verdade? Os ucranianos estão em guerra com tudo o que têm. Por que não estamos usando armas nucleares, que nossos antepassados desenvolveram precisamente para esse propósito?”, declarou o magnata nacionalista Konstantin Malofeyev. O blog Obsessed by War, com mais de 650 mil seguidores, defendeu que as principais cidades ucranianas sejam tornadas inabitáveis por bombardeios, enquanto outros blogueiros pediram o abandono das negociações mediadas por Washington e a destruição completa do Estado ucraniano.

Parte da ala radical atribui a ousadia ucraniana diretamente a Donald Trump. O blogueiro Yuri Baranchik, com quase 90 mil seguidores no Telegram, sustentou que os ataques a Moscou só foram possíveis com aval americano, e que Putin precisa responder com firmeza, ou ser superado diplomaticamente pelo adversário. Analistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam que a retórica cada vez mais estridente reflete uma crescente preocupação com o alcance e o impacto dos drones ucranianos, e revela um debate mais amplo sobre como um país com o vasto território russo pode se defender enquanto tenta manter objetivos de conquista no campo de batalha.

Até o momento, o Kremlin resistiu à pressão dos falcões. Três altos funcionários do governo afirmaram esta semana que as conversas com os EUA não avançaram e acusaram Washington de descumprir propostas de paz firmadas na cúpula Putin-Trump, no Alasca. Putin, no entanto, evitou endossar as propostas mais extremistas, embora o Ministério da Defesa tenha divulgado, em abril, os endereços de fábricas europeias que, segundo Moscou, produzem drones para a Ucrânia, numa clara advertência de que poderiam ser alvos. O Ministério das Relações Exteriores também sinalizou escalada ao anunciar “ataques sistemáticos” contra alvos militares em Kiev, seguidos de bombardeios mais intensos que danificaram um mosteiro milenar na capital ucraniana.

Por ora, Putin parece confiante na estratégia atual. Em discurso a graduados da academia militar, afirmou que as forças russas estão próximas de tomar Kostyantynivka, no leste da Ucrânia, como parte da ofensiva para controlar o Donbas, e disse acreditar que líderes europeus mais favoráveis a Moscou estão em ascensão. “Aqueles que desejam restabelecer relações normais conosco estão em ascensão”, afirmou o presidente russo. “No fim, tudo se resolverá.”

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