As preocupações com os efeitos das mudanças climáticas voltaram a movimentar o mercado internacional de commodities agrícolas na última sexta, 27. A combinação entre a onda de calor histórica que atinge a Europa e as expectativas em torno do fortalecimento do fenômeno El Niño sustentou a valorização do açúcar e do cacau nas bolsas internacionais, enquanto o café apresentou desempenho mais moderado diante das perspectivas para a safra brasileira.
O açúcar foi um dos destaques do pregão na ICE. O contrato do açúcar bruto encerrou o dia cotado a 13,98 centavos de dólar por libra-peso, alta de 3,2%, acumulando valorização de 2,8% na semana. Já o açúcar branco avançou 4,3%, para US$ 464 por tonelada, alcançando o maior nível em quase três meses e encerrando a semana com ganho superior a 5%. Segundo analistas, o mercado reagiu às condições climáticas desfavoráveis em importantes regiões produtoras, como Índia, Tailândia, Europa e Flórida.
Embora a recente queda dos preços do petróleo normalmente favoreça a produção de açúcar em detrimento do etanol, já que reduz a competitividade do biocombustível, operadores avaliam que o risco climático tem exercido influência maior sobre as cotações. A redução das chuvas de monção na Índia, associada às altas temperaturas em diversas partes do mundo, aumentou as preocupações com a oferta global da commodity.
No mercado de café, o cenário foi diferente. Os contratos do robusta recuaram 1%, encerrando o dia em US$ 3.627 por tonelada, enquanto o arábica perdeu 1,2%, sendo negociado a US$ 2,732 por libra-peso. Apesar da correção, instituições financeiras continuam alertando que um El Niño mais intenso poderá comprometer a produção no Sudeste Asiático e na Índia, principais regiões produtoras de robusta.
No Brasil, as chuvas recentes atrasaram parte da colheita do café arábica e provocaram preocupações pontuais com a qualidade dos grãos. Ainda assim, a expectativa do mercado permanece positiva para a safra brasileira, considerada uma das maiores dos últimos anos. A previsão de melhora do tempo nas próximas semanas também deve favorecer o avanço dos trabalhos no campo.
O cacau registrou a maior valorização semanal entre as principais commodities agrícolas. Mesmo encerrando a sexta-feira em queda, os contratos acumularam fortes ganhos ao longo da semana: alta de 20% em Nova York e de 16% em Londres. O movimento reflete a expectativa de que o El Niño possa prejudicar o desenvolvimento da próxima safra na África Ocidental, principal região produtora do mundo, além do alívio nas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Apesar da recente disparada dos preços, analistas do Rabobank avaliam que parte dos prêmios de risco incorporados ao mercado pode estar acima do necessário. A instituição continua projetando um excedente global de produção para a safra 2026/27, o que pode limitar novas altas caso os impactos climáticos sejam menos severos do que o esperado.


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