Celina Leão imprime marca de austeridade no DF com cortes, descentralização e olho nas eleições de 2026

Nos primeiros meses à frente do Palácio do Buriti, a governadora Celina Leão (PP) tem imprimido uma marca de austeridade e gestão prática, acumulando decisões que repercutem tanto nos cofres públicos quanto no xadrez político que se monta para outubro. Celina assumiu o comando do GDF após o ex-governador Ibaneis Rocha renunciar ao cargo para cumprir o prazo legal de desincompatibilização e se candidatar ao Senado nas eleições de 2026.

Logo no dia da posse, a governadora anunciou o cancelamento das comemorações do aniversário de Brasília, redirecionando R$ 25 milhões que seriam gastos na festa para a contratação imediata de médicos na atenção básica. “Remanejamos este recurso para a Secretaria de Saúde. Neste momento, em que temos uma escassez de orçamento, vamos precisar priorizar”, declarou. A suspensão foi formalizada em edição extra do Diário Oficial do DF, com a abertura de processo administrativo para contratar 130 médicos de Medicina de Família e Comunidade para a rede pública.

Na frente fiscal, a governadora assinou o Decreto nº 48.509/2026, determinando que todos os órgãos do GDF revisem em até 60 dias seus contratos de aluguel, veículos, serviços terceirizados e informática, com meta de redução de até 25% nos valores. Outra frente de economia veio com a decisão de finalmente ocupar o Centro Administrativo do Distrito Federal. Celina anunciou o início da ocupação do CAD-DF, em Taguatinga, encerrando mais de uma década em que o complexo permaneceu sem utilização efetiva, com a primeira etapa prevendo que cerca de 31% da estrutura passe a abrigar órgãos do GDF nos próximos 90 dias. A governadora projeta uma economia de aproximadamente R$ 1 bilhão aos cofres públicos ao longo dos próximos cinco anos, com a redução dos gastos com aluguéis.

No campo financeiro mais delicado, Celina assumiu o governo em meio à tentativa de reestruturação do BRB, que enfrenta um rombo agravado pela compra de carteiras de crédito problemáticas do Banco Master. O Legislativo distrital aprovou um pacote de socorro que inclui a autorização para um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos, além do uso de imóveis públicos em fundos de investimentos.

Com a gestão ganhando corpo, a governadora também organiza sua base para outubro. O ex-secretário da Casa Civil Gustavo Rocha perdeu espaço na articulação da chapa após o desgaste político entre Celina e Ibaneis Rocha, e seu nome como vice não deve se concretizar. Surgiram especulações sobre a senadora Damares Alves como eventual vice, mas pessoas próximas à parlamentar afirmam que não existe, neste momento, qualquer negociação formal nesse sentido. Apesar das turbulências, Celina minimizou as tensões ao afirmar que “não vai ser oposição nenhuma que vai dividir esse time”, reconhecendo publicamente tudo que Ibaneis fez à frente do Palácio do Buriti.

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