Um novo tremor de magnitude 4.6 na escala Richter sacudiu nesta segunda, 29, a cidade de Carabelleda, no estado de La Guaira, região mais devastada pelo duplo terremoto que atingiu a Venezuela há cinco dias. O abalo foi sentido também na capital, Caracas, e elevou ainda mais o estado de alerta no país, que acumula ao menos 1.500 mortos e 3.150 feridos desde a catástrofe da semana passada.
O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, classificou o tremor como “réplica de moderada intensidade” e afirmou que não houve danos adicionais em nenhuma parte do território nacional. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) localizou a origem do abalo a 10 quilômetros de profundidade e a 27 km do centro de Carabelleda, município de cerca de 50 mil habitantes situado a aproximadamente 40 km de Caracas.
A réplica desta segunda não é um caso isolado. Desde os terremotos de magnitude 7.2 e 7.5 que devastaram Caracas e La Guaira na quarta, 24, a agência estatal venezuelana contabilizou ao menos 430 tremores secundários, incluindo um de magnitude 4.9 registrado na sexta, 27. Réplicas são tremores que ocorrem em decorrência de um primeiro grande abalo sísmico e podem se estender por dias ou semanas.
A professora Tamara Ádrian, da Universidade Central de Caracas, disse à Agência Brasil que as réplicas têm sido frequentes. Trabalhando há quase 30 anos em um edifício com estrutura antissísmica, ela afirma sentir pelo menos um ou dois tremores por semana, mas ressaltou que eventos da magnitude da semana passada são raros. “Vivi o terremoto de 1967, que teve magnitude 6.1. Historicamente, em Caracas, o intervalo entre terremotos maiores tem sido de cerca de 50 anos”, disse.
No esforço de resgate, 25 mil socorristas, entre eles 2.600 estrangeiros, incluindo brasileiros, trabalham para localizar sobreviventes sob os escombros. Até domingo, dia 28, 33 pessoas haviam sido retiradas com vida dos destroços. O Brasil já enviou quatro aviões com ajuda humanitária ao país vizinho.


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