ONU eleva alerta e projeta El Niño forte entre julho e setembro

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou nesta sexta, 3, que o El Niño já está estabelecido no Pacífico tropical e deve se intensificar rapidamente nos próximos meses, com previsão de que o fenômeno atinja força plena entre julho e setembro. Segundo o mais recente boletim da Atualização Climática Sazonal Global, os modelos internacionais convergem para um cenário de El Niño forte, o que eleva o risco de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do planeta.

O El Niño é o aquecimento periódico das águas superficiais no Pacífico central e oriental, com duração média de nove a doze meses, e costuma provocar impacto direto nas temperaturas globais e nos padrões de chuva. De acordo com Álvaro Silva, cientista da OMM, há hoje um notável consenso entre os modelos de previsão de que o episódio em curso será um El Niño forte. Ele destacou que a intensidade do fenômeno é determinante para a probabilidade de eventos meteorológicos extremos ao redor do mundo.

O órgão da ONU já havia sinalizado em junho a possibilidade de um El Niño moderado a forte, mas as previsões mais recentes aumentaram a confiança dos meteorologistas em um cenário de maior intensidade, podendo a estimativa ser revisada ainda mais para cima. Conforme o boletim divulgado nesta sexta, o Pacífico Equatorial apresenta mais de 80% de probabilidade de registrar temperaturas da superfície do mar acima da média na região a leste da Linha Internacional de Data, com projeções de temperaturas superiores a 2°C acima do normal nas principais áreas monitoradas.

Entre os efeitos esperados estão condições mais secas do que o habitual na América Central, no Caribe e em partes da América do Norte e do Sul, além de chuvas de monção abaixo da média no sul da Ásia, incluindo Indonésia e Sudeste Asiático. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que a entidade lançou uma mobilização sem precedentes para coordenar ações em todo o sistema das Nações Unidas, com apoio a governos e setores sensíveis ao clima, como agricultura e saúde. Silva reforçou ainda que anos de El Niño costumam coincidir com recordes de temperatura global, e que a onda de calor recorde registrada na Europa entre 20 e 28 de junho, associada pelos cientistas às mudanças climáticas, já dá uma dimensão dos riscos em jogo.

A previsão da OMM é de que os efeitos do fenômeno se estendam até o fim de 2026 e alcancem parte de 2027, com o pico de intensidade esperado ao longo do outono do Hemisfério Norte. A agência afirma que ainda é cedo para cravar com precisão a magnitude exata dos impactos regionais, mas que novas atualizações ao longo do segundo semestre devem refinar essas projeções.

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