A circulação de navios pelo Estreito de Ormuz voltou a desacelerar após a retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã, aumentando as preocupações com o abastecimento global de energia e a segurança da navegação. A passagem estratégica concentra cerca de 20% do comércio mundial de petróleo bruto e gás natural liquefeito (GNL), tornando-se um dos principais pontos de tensão da guerra iniciada em 28 de fevereiro.
A Agência Britânica de Operações de Comércio Marítimo (UKMTO) informou nesta sexta-feira que a ameaça à segurança marítima no Estreito de Ormuz permanece classificada como “grave”. Apesar dos recentes ataques a navios mercantes, o órgão destacou que a rota sul do estreito continua aberta e disponível para a circulação de embarcações comerciais.
Dados das consultorias Kpler e LSEG, divulgados pela Reuters, mostram que pelo menos cinco navios-tanque de GNL sem carga atravessaram recentemente o estreito, entre eles o GasLog Shanghai e embarcações ligadas à Qatar Energy. Mesmo assim, o fluxo de navios permanece abaixo da média. Na quinta-feira, apenas 10 petroleiros e navios de GNL cruzaram a passagem, contra 14 no dia anterior e 22 registrados na segunda-feira, o menor volume diário desde 28 de junho.
O estreitamento do tráfego ocorre após novos ataques iranianos contra embarcações comerciais e ações retaliatórias dos Estados Unidos. Segundo o analista sênior da Vortexa, Xavier Tang, os ataques iranianos têm se concentrado em navios que utilizam a rota próxima a Omã, aumentando a cautela das empresas de navegação e dos governos que acompanham a situação.
Além dos impactos no comércio global de energia, cresce a preocupação com a segurança das tripulações retidas no Golfo Pérsico. Países asiáticos, como Índia, Filipinas e Tailândia, concentram grande parte dos marinheiros que trabalham nessas embarcações. O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (IMO), Arsenio Dominguez, afirmou que, por trás dos números do transporte marítimo, estão profissionais e famílias que continuam sofrendo as consequências humanas do conflito.


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