Trump volta a acusar China de interferência eleitoral e aumenta tensão antes de possível encontro com Xi

As recentes acusações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a China teria interferido nas eleições norte-americanas elevaram a tensão entre Washington e Pequim, colocando em risco a reaproximação diplomática entre os dois países. As declarações ocorrem a cerca de dois meses de uma possível reunião entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, prevista para ocorrer em Washington.

Em discurso realizado na última quinta, 16, Trump afirmou que a China teria obtido ilegalmente dados de milhões de eleitores americanos, classificando o suposto episódio como um “pesadelo sem precedentes para a segurança eleitoral”. O presidente voltou a defender críticas ao sistema eleitoral dos EUA em meio à campanha para as eleições legislativas de novembro e reiterou alegações já feitas anteriormente sobre a influência chinesa no processo eleitoral.

O governo chinês reagiu imediatamente e negou as acusações. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, classificou as declarações como “pura invenção” e uma “campanha difamatória maliciosa”, afirmando que Pequim jamais interferiu nas eleições dos Estados Unidos. A embaixada chinesa em Washington também reforçou que o país “nunca interferiu e nunca interferirá” nas eleições presidenciais americanas.

A troca de acusações acontece em um momento delicado das relações bilaterais. Após um período de forte disputa comercial, os dois governos vinham mantendo uma trégua diplomática desde o ano passado, com negociações para ampliar o diálogo e a expectativa de um encontro entre Trump e Xi Jinping. Segundo fontes ligadas às conversas, Pequim condiciona futuras reuniões de alto nível à preservação de um ambiente de relações estáveis entre as duas potências.

As alegações de Trump também reavivam um tema já analisado pelas agências de inteligência dos Estados Unidos. Em avaliação divulgada em 2021, a comunidade de inteligência concluiu que não havia evidências de que qualquer governo estrangeiro, incluindo a China, tivesse alterado tecnicamente o processo eleitoral ou os resultados da eleição presidencial de 2020.

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