Nepal pede esforço global contra mudanças climáticas após tragédia que deixou 683 mortos

O governo do Nepal apelou neste sábado, 29, a um esforço global para combater as mudanças climáticas, após o colapso de uma geleira no Himalaia provocar uma enxurrada devastadora que deixou pelo menos 683 mortos e mais de 3 mil desaparecidos.

O desastre ocorreu na última quarta-feira, perto da fronteira entre o Nepal e o Tibete. O ministro nepalês dos Negócios Estrangeiros, Shisir Khanal, afirmou que o país é uma das principais vítimas do aquecimento global, apesar de contribuir com menos de 0,01% das emissões de gases de efeito estufa. “O Nepal emite menos de 0,01% dos gases de efeito estufa, mas nós, o povo nepalês, estamos entre as principais vítimas das alterações climáticas”, declarou.

O ministro apelou à comunidade internacional para preservar o ecossistema do Himalaia e informou que o governo pretende investigar as causas do colapso em um mecanismo conjunto com pesquisadores chineses. Segundo Khanal, Nepal e China já discutiam a criação de um sistema de alerta para áreas mais vulneráveis antes da tragédia. “Estávamos em um processo de discussão para estabelecê-lo, mas infelizmente este incidente aconteceu”, afirmou.

Ainda não há estudos específicos que determinem o peso das mudanças climáticas no colapso da geleira. No entanto, especialistas apontam que o aquecimento global tem acelerado o degelo na região. Um estudo divulgado em março pelo Centro para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas indicou que as taxas de degelo no Himalaia dobraram desde 2000. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou que a tragédia foi desencadeada pelo colapso de uma geleira, que lançou uma enorme torrente de água e detritos através dos rios.

Diante da dimensão da tragédia, Katmandu reviu a decisão inicial de manter equipes internacionais de busca e resgate fora das áreas atingidas. Especialistas da Índia, China, Austrália e Coreia do Sul foram autorizados a atuar em áreas específicas, com experiência em resgates em túneis, análises de DNA e exames forenses. Um dos maiores desafios está nos projetos hidrelétricos atingidos pela enxurrada, onde 933 trabalhadores e funcionários continuam desaparecidos, segundo a Autoridade Nacional para a Redução e Gestão de Riscos de Desastres.

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