Epidemia de ebola no Congo ultrapassa 6 mil casos e deixa 2,9 mil mortos

A epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou 6 mil casos e já provocou 2.911 mortes, segundo informações divulgadas nesta segunda, 31, pelas autoridades. Mais de 1.360 pessoas se recuperaram da doença, mas a rápida expansão do vírus mantém a situação fora de controle e aumenta o risco de disseminação para países vizinhos.

A epidemia, considerada a de propagação mais rápida já registrada no país, avança em meio a condições extremamente precárias. A insegurança provocada por grupos armados, o deslocamento de populações, a greve de profissionais de saúde e a intensa circulação de pessoas dificultam as ações de contenção. Na semana passada, o vírus chegou a duas novas áreas sanitárias no leste do país.

A situação também afeta as equipes de resposta. No sábado, 29, um grupo que atuava nos arredores de Mambasa, na província de Ituri, foi atacado durante uma operação para remover um cadáver. Jovens armados com catanas invadiram o local de um funeral, obrigando os profissionais a fugir. Um integrante da equipe ficou ferido.

A epidemia é causada pelo vírus Bundibugyo, uma variante rara do ebola para a qual ainda não há vacina ou tratamento aprovado. A RDC iniciou na semana passada a vacinação de profissionais de saúde e outros trabalhadores da linha de frente com a Ervebo, imunizante eficaz contra a variante Zaire, responsável por episódios anteriores da doença. Ensaios clínicos estão em andamento para desenvolver uma vacina específica contra o Bundibugyo.

Declarada oficialmente em meados de maio, a atual epidemia é a 17ª registrada na RDC. As autoridades acreditam, porém, que o vírus já circulava desde fevereiro. A doença passou de três para quase 60 zonas sanitárias, com a maioria dos casos e mortes ocorrendo fora da rede de contatos monitorados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o surto pode superar a epidemia de 2014 a 2016 na África Ocidental, que matou mais de 11 mil pessoas, enquanto o risco de propagação para países vizinhos, como Uganda, permanece.

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