A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), em petição enviada na sexta, 16, que seja aberta investigação sobre o vazamento de conversas privadas ligadas ao caso Master. O documento é endereçado ao presidente da corte, Edson Fachin.
Nele, os advogados afirmam que Vorcaro sofre um “processo de linchamento público”. Eles reclamam da divulgação de fatos da intimidade do ex-banqueiro e de conversas dele com advogados, e sustentam que o material vazado não pode resultar em investigações contra ele.
Segundo a defesa, “a única repercussão jurídica da exposição da intimidade e de sua vida pessoal é a instauração de inquérito policial para averiguar e determinar os responsáveis”. Os advogados dizem ainda que toda conversa de Vorcaro “tornou-se de conhecimento público” sem confirmação de sua veracidade ou da forma como foi obtida. O texto integral da petição não foi consultado; as passagens citadas constam de trechos divulgados do documento.
Não há informação sobre decisão, despacho ou manifestação do STF ou de Fachin a respeito do pedido. Também não está claro se ele se soma a uma apuração já em curso: em 6 de março, o ministro André Mendonça, do STF, determinou a abertura de inquérito para apurar o vazamento de informações e mensagens obtidas dos celulares de Vorcaro. A decisão atendeu a pedido da defesa na Petição 15612, e as informações disponíveis não esclarecem se a nova petição trata desse mesmo inquérito, de outro ou de uma extensão dele, nem em que fase ele está.
Na decisão de março, Mendonça afirmou que a apuração deve buscar os responsáveis pela guarda do material sigiloso que o violaram, “e não daqueles que, no legítimo exercício da fundamental profissão jornalística, obtiveram acesso indireto a informações que, por sua natureza íntima, não deveriam ter sido publicizadas”. Ou seja, segundo o ministro, o alvo da investigação não são os jornalistas, em respeito ao sigilo da fonte.
Vorcaro foi preso em março de 2026 e permanece na Papudinha, presídio do Distrito Federal. Ele é investigado pela Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras envolvendo o Master e a tentativa do Banco Regional de Brasília (BRB) de comprá-lo. O BRB é um banco público vinculado ao governo do Distrito Federal.
A reclamação sobre os vazamentos já havia chegado a Fachin por outra via. Em 23 de setembro, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) protocolou pedido para que o presidente do STF mande separar, em triagem, o material do caso Master que possa estar coberto pelo sigilo entre advogado e cliente. A entidade manifestou “preocupação institucional” com os vazamentos à imprensa. Leia também: Conselho do MPF rejeita afastamento de Paulo Gonet e nega investigação no caso Master, Zanin nega liminar para obrigar Senado a instalar CPI sobre o Banco Master e a editoria Brasil.


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