O El Niño atingiu em outubro a maior anomalia de temperatura do mar já registrada para o mês e foi classificado como muito forte, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Na região El Niño 3.4, a temperatura ficou 2,47 °C acima da média histórica. Até janeiro, a previsão aponta calor acima do normal em quase todo o país.

Na região El Niño 3, que tem grande influência sobre o clima da América do Sul, a anomalia mensal de outubro chegou a 3,56 °C, segundo o Inmet. Na última semana do mês, o indicador alcançou +3,7 °C, novo recorde da série semanal iniciada em 1981, acima dos +3,6 °C registrados em dezembro de 1982.

O boletim nº 5 do Painel El Niño, divulgado na última quinta, 29, e elaborado com instituições federais, projeta a manutenção e a intensificação do fenômeno em 2026, com alta probabilidade de atingir intensidade muito forte a partir de novembro. Para o trimestre de novembro a janeiro, a chance maior é de chuva acima da faixa normal no Sul, em parte do Sudeste e em parte do Centro-Oeste. Já em boa parte do Norte, em trechos do Nordeste e do Centro-Oeste, a tendência é de chuva abaixo do normal. A temperatura tende a ficar acima do padrão para o período em quase todo o país, sobretudo no Norte, enquanto no Rio Grande do Sul a tendência é de temperaturas abaixo do normal.

PUBLICIDADE

Já na região El Niño 1+2, na costa do Peru e do Equador, a anomalia semanal atingiu +4,6 °C na última semana de outubro, igualando o maior valor da série, de junho de 1983. O Inmet diz que a influência dessa área sobre o clima brasileiro é pequena.

Em setembro, a anomalia na região El Niño 3.4 já havia chegado a +2,08 °C, o 2º maior valor para o mês desde 1950, atrás apenas de setembro de 1997, com +2,15 °C. Nas primeiras semanas de outubro, o indicador semanal dessa mesma região já alcançava +2,4 °C.

Ao comparar os índices mensais e semanais, o meteorologista Leydson Dantas afirmou: “É importante destacar que a comparação entre dados mensais e semanais requer cautela, pois representam períodos de referência distintos”.

As fontes consultadas não trazem efeito específico para o Distrito Federal na estação chuvosa e não confirmam alerta do Inmet para o Centro-Oeste. Segundo o instituto, o desenrolar do episódio e seus possíveis efeitos sobre o clima brasileiro serão acompanhados nas próximas semanas.

O El Niño consiste em um aquecimento anormal das camadas superficiais do Pacífico Equatorial. Ele muda a circulação atmosférica global e altera padrões de chuva e de temperatura em várias regiões do Brasil, com efeitos que variam conforme a intensidade do episódio, a época do ano e fatores atmosféricos locais. Em texto geral de março, o Inmet já associava o fenômeno a maior risco de seca no Norte e no Nordeste. Segundo o instituto, o El Niño de 2026 começou a se configurar em junho e aqueceu rapidamente nos meses seguintes. A Organização Meteorológica Mundial considera possível que ele seja um dos maiores já registrados.