O Governo do Distrito Federal pediu nesta quinta, 5, ao Supremo Tribunal Federal (STF) a transferência imediata de R$ 2,2 bilhões. O valor está bloqueado em contas em nome de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, por determinação da Justiça na Operação Compliance Zero, que apura o caso Banco Master, e ainda não há prazo para decisão.
O pedido seguiu para o presidente do STF, ministro Edson Fachin, apontado como relator temporário do caso Master. As versões divergem sobre o destino do dinheiro. Uma delas diz que ele iria para o Banco de Brasília (BRB); outra menciona os cofres do Distrito Federal.
Ao pedir a transferência, o GDF argumentou que o ente distrital “suporta, no próprio patrimônio público, os efeitos do dano causado ao banco”. Segundo a petição, o governo é um dos acionistas do BRB e vem absorvendo as perdas das operações entre o Master e o BRB, que o documento descreve como fraudulentas.
O pedido teria ainda outro alcance. Uma das versões diz que o GDF também quer que o STF inclua o BRB e o próprio governo como vítimas no inquérito que apura fraudes do Banco Master, ponto que não aparece em todas as descrições. Nesse argumento, a Procuradoria-Geral do DF defende que valores obtidos por práticas ilegais sirvam para restituir vítimas do esquema, sem exigir o rastreamento de cada real desviado, e que o DF seria uma delas.
O BRB é controlado majoritariamente pelo GDF. Há divergência sobre a operação com o Master: uma versão afirma que o conselho do BRB aprovou, em março de 2025, a compra de 58% do capital do banco privado, valor estimado em R$ 2 bilhões; outra fala apenas em intenção de comprar parte da instituição. A crise do BRB é atribuída a tratativas e operações malsucedidas com o Banco Master.
Henrique Vorcaro está preso preventivamente desde maio de 2026 e é investigado na Operação Compliance Zero. Entre os 15 suspeitos que a Polícia Federal indiciou no fim de outubro estão Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Henrique também é suspeito de integrar um suposto núcleo de coerção e intimidação ligado às investigações.
A reportagem não obteve resposta do BRB nem da defesa de Henrique Vorcaro sobre o pedido. O conteúdo da petição não foi conferido em cópia do documento, e não há número do processo nem data de protocolo.





