A Casas Bahia, em recuperação judicial, adiou em 29 dias a divulgação do balanço do 3º trimestre de 2026, de 11 de novembro para 10 de dezembro. Ao anunciar a mudança no comunicado da última sexta, 6, a companhia disse precisar de prazo extra para elaborar e revisar as informações contábeis.

Segundo a companhia, o adiamento se deve à necessidade de prazo adicional para concluir a elaboração, a consolidação e a revisão das informações contábeis e financeiras periódicas, trabalho que envolve a empresa e seus assessores. Pelo comunicado, a extensão do cronograma visa assegurar a consistência e a conformidade técnica das demonstrações, além do atendimento às exigências regulatórias aplicáveis.

A varejista explicou que a mudança ocorre “no contexto dos processos operacionais decorrentes da recuperação judicial em curso”. A companhia afirmou que manterá acionistas e o mercado atualizados sobre eventuais desdobramentos relevantes.

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O pedido de recuperação judicial foi protocolado em agosto, com R$ 17,3 bilhões em passivos, dos quais cerca de R$ 16,4 bilhões são créditos quirografários. Ele veio após o agravamento das dificuldades financeiras e um redimensionamento das operações, incluindo o fechamento de 298 lojas.

A Justiça de São Paulo deu andamento, em decisão de 21 de outubro, à recuperação da companhia e de outras nove empresas do mesmo grupo. A decisão manteve a suspensão das execuções e deu prazo de 30 dias para a entrega de documentos pendentes. Ao todo, 10 empresas do grupo estão na ação, incluindo as marcas Casas Bahia e Ponto Frio, e o plano ainda depende da aprovação dos credores.

Em abril de 2024, a companhia já havia homologado uma recuperação extrajudicial que reestruturou R$ 4,8 bilhões em dívidas financeiras, da qual saiu três meses depois. O balanço do 2º trimestre também foi adiado, de 12 para 14 de agosto, e saiu na madrugada de domingo, 16, com prejuízo líquido de cerca de R$ 10,1 bilhões, dos quais R$ 9,1 bilhões em efeitos contábeis não recorrentes. Em outubro, a empresa obteve linha de crédito de até R$ 250 milhões com o Banco do Brasil.

Em 23 de outubro, a companhia anunciou a contratação de Camille Faria, sócia da Althia Partners, para liderar as negociações com credores, no lugar de Mateus Tessler. A Alvarez & Marsal segue no processo. Em 28 de outubro, a companhia comunicou a renúncia de Raphael Oscar Klein ao conselho de administração e disse que avaliará a recomposição do colegiado.

A reportagem não teve acesso ao texto integral do comunicado, porque a página de relações com investidores da companhia retornou bloqueio de acesso. A posição da empresa foi conferida pela reprodução do texto em duas fontes independentes, e a nova data não pôde ser confirmada pelo canal da companhia.