Em meio a pressões externas e divisões internas, o governo de Israel estuda ampliar sua presença militar na Faixa de Gaza. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou, em entrevista à rede norte-americana Fox News, que o objetivo é assumir o controle total do território, quase duas décadas após a retirada oficial das tropas israelenses em 2005.
Netanyahu ressaltou que a intenção não é governar o enclave, mas criar um “perímetro de segurança” e, posteriormente, transferir a administração para forças árabes. Sem especificar quais países poderiam assumir essa responsabilidade, o premiê disse que tais arranjos ainda estão sendo discutidos.
As declarações ocorreram pouco antes de uma reunião restrita com ministros de alto escalão para avaliar a tomada gradual de áreas de Gaza ainda fora do domínio militar israelense. Entre as possibilidades levantadas está a emissão de avisos para que moradores palestinos deixem determinadas zonas, concedendo-lhes semanas de prazo antes da entrada das tropas.
A medida representaria a reversão da política adotada em 2005, quando Israel retirou colonos e militares de Gaza, mas manteve o controle das fronteiras, do espaço aéreo e de parte da infraestrutura. Desde então, partidos de direita atribuem ao recuo a ascensão do Hamas, que venceu as eleições legislativas palestinas em 2006.
A guerra, que se arrasta há quase dois anos, já provocou graves impactos humanitários e mantém a região sob constante tensão, com a comunidade internacional dividida sobre as ações israelenses e o futuro político do território.


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