O cenário para as eleições ao Senado no Distrito Federal começou a ganhar contornos mais definidos e deve reunir nomes de peso da política local e nacional. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis devem formar a principal aposta do PL na disputa, enquanto o governador Ibaneis Rocha é apontado como pré-candidato pelo MDB, o que exigiria sua desincompatibilização do cargo dentro do prazo legal.
A movimentação ocorre em meio à articulação do ex-presidente Jair Bolsonaro para manter influência no DF. A tendência é que ele apoie a vice-governadora Celina Leão para a disputa ao Palácio do Buriti. Em contrapartida, ela estaria alinhada ao projeto do PL para o Senado, fortalecendo os nomes de Michelle e Bia Kicis. O arranjo, porém, cria um impasse político dentro do próprio campo conservador.
Isso porque Ibaneis, aliado histórico do bolsonarismo em eleições anteriores, contava com o apoio do ex-presidente para sua candidatura ao Senado. Com a nova configuração, a base de direita e centro-direita passa a ter mais de uma opção competitiva, o que pode fragmentar votos em um pleito majoritário tradicionalmente acirrado no DF.
No campo da esquerda, a principal pré-candidata é a deputada federal Erika Kokay, nome já consolidado em disputas majoritárias e que deve buscar a unificação das forças progressistas. Outros possíveis concorrentes ainda são ventilados nos bastidores, indicando uma eleição com múltiplos polos e forte nacionalização do debate.
Além da disputa local, o pleito para o Senado tem sido tratado por lideranças conservadoras como estratégico para redefinir a correlação de forças em Brasília, especialmente em temas institucionais e na relação com o Supremo Tribunal Federal, já que cabe aos senadores funções como a análise de indicações para a Corte e a abertura de processos de impeachment de ministros.


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