DF tem trânsito caótico. O futuro passa pelo CENTRAD com a descentralização da administração pública

Brasília enfrenta há anos um problema crescente de mobilidade urbana. Com grande parte da administração pública concentrada no Plano Piloto, milhares de trabalhadores precisam atravessar diariamente o Distrito Federal para chegar ao centro da capital, contribuindo para congestionamentos cada vez mais frequentes nas principais vias da cidade.

Planejada para ser uma cidade organizada e funcional, Brasília convive hoje com um cenário cada vez mais visível de saturação no trânsito. Grande parte desse fluxo tem um destino comum: o centro da capital, onde se concentra boa parte da administração pública.

No entanto, existe uma alternativa já construída. Parte da administração pública poderia ser transferida para o Centrad — Centro Administrativo do Distrito Federal, em Taguatinga. O complexo foi construído há mais de dez anos com o objetivo de descentralizar órgãos do governo e reduzir a pressão sobre o Plano Piloto, mas até hoje permanece subutilizado.

A mudança, no entanto, encontra resistência por parte de servidores que trabalham no Palácio do Buriti, em seus anexos e em outros órgãos da administração direta e indireta localizados no centro de Brasília. Muitos desses funcionários moram no Plano Piloto e em regiões próximas, como Guará, Cruzeiro, Octogonal e Candangolândia. Outros residem em áreas ao norte da capital, como Itapoã, Paranoá, Sobradinho e Planaltina.

Enquanto uma parcela de servidores teme a mudança do local de trabalho, centenas de milhares de moradores do Distrito Federal e do Entorno enfrentam diariamente longos congestionamentos no trajeto entre casa e trabalho.

A questão já não se resume apenas à infraestrutura viária, mas também ao comportamento coletivo. Em grande parte dos casos, trabalhadores utilizam seus carros particulares para se deslocar até o centro da cidade, muitas vezes com apenas o motorista no veículo. O uso do transporte coletivo, como ônibus e metrô, ou mesmo práticas como rodízio de carros e caronas entre colegas de trabalho, ainda são pouco adotados.

Mesmo que novas vias fossem construídas, dificilmente o problema seria resolvido de forma definitiva. Nos horários de pico, praticamente todas as principais vias do Distrito Federal já apresentam níveis elevados de congestionamento.

A situação é ainda mais crítica para moradores do Entorno, como Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental, Jardim Ingá e Luziânia, que utilizam diariamente a BR-040 e enfrentam engarrafamentos constantes antes mesmo de entrar no Distrito Federal. Já dentro da capital, esses motoristas passam a dividir as vias com veículos que circulam entre as regiões administrativas próximas ao Plano Piloto.

Na parte norte da cidade, moradores de Sobradinho, Planaltina e outras regiões dependem da BR-020, que passou por obras e melhorias importantes nos últimos anos. Embora tenha havido avanços, a via ainda está longe de oferecer o conforto e a qualidade de vida esperados para quem precisa se deslocar diariamente entre casa e trabalho.

No eixo Taguatinga–Ceilândia–Samambaia, a situação também é delicada. As principais vias de acesso à região ficam congestionadas diariamente nos horários de pico e, em muitos casos, continuam com tráfego intenso mesmo fora deles.

Caso ocorra qualquer incidente ou acidente de trânsito, o impacto se espalha rapidamente por diversas vias estratégicas, como a Estrada Parque Taguatinga (EPTG), a Estrutural e a EPNB. Essas rotas são utilizadas não apenas pelos moradores dessas regiões, mas também por quem vive no Núcleo Bandeirante, Guará, Park Way, Águas Claras, Riacho Fundo I e II, Recanto das Emas, Brazlândia, além de cidades do Entorno como Águas Lindas de Goiás e Santo Antônio do Descoberto.

Uma possível solução para melhoraria da qualidade de vida
Uma alternativa seria pensar na descentralização administrativa do Governo do Distrito Federal. Para isso, seria necessário um estudo detalhado que considerasse o local de residência dos servidores públicos. A redistribuição de cargos e funções poderia levar em conta a proximidade entre o endereço dos servidores e as unidades administrativas onde atuariam.

Servidores que moram nas regiões próximas a Taguatinga, Ceilândia, Samambaia e áreas adjacentes poderiam ser realocados para trabalhar nas secretarias instaladas no Centrad.

Já aqueles que residem no Plano Piloto, Guará, Cruzeiro, Octogonal, Candangolândia e outras regiões próximas ao centro de Brasília, bem como parte dos servidores que vivem no Entorno do Distrito Federal, poderiam permanecer em órgãos localizados no Palácio do Buriti e em suas estruturas administrativas atuais.

Uma reorganização desse tipo poderia contribuir para reduzir parte dos deslocamentos diários que hoje concentram o fluxo de veículos em direção ao Plano Piloto, ajudando a distribuir melhor a administração pública pelo território do Distrito Federal.

Trata-se de uma solução pragmática que, ao mesmo tempo, aproveitaria uma estrutura pública já construída e poderia ajudar a diminuir os congestionamentos enfrentados diariamente pela população.

FELIPE SEABRA

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