Irã dá ultimato aos EUA em negociações para proposta ou cessar-fogo fracassa

O frágil cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã entrou em sua fase mais crítica nesta terça, 12. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, lançou um ultimato a Washington: a proposta de 14 pontos apresentada por Teerã deve ser aceita como está, sem concessões, ou as negociações para encerrar o conflito de forma duradoura estão condenadas ao fracasso. A declaração ocorre um dia depois de o presidente Donald Trump chamar a resposta iraniana de “lixo” e afirmar que o cessar-fogo está em “suporte de vida”, com apenas 1% de chance de sobreviver.

A tensão nas negociações reflete prioridades fundamentalmente opostas: Trump busca concessões imediatas sobre o programa nuclear iraniano, enquanto Teerã quer adiar essas exigências e garantir primeiro suas próprias demandas. Ghalibaf foi direto ao endereçar os americanos: “Quanto mais protelarem, mais os contribuintes americanos pagarão o preço”, escreveu na rede social X. O negociador iraniano havia participado dos encontros em Islamabad, no Paquistão, que resultaram no cessar fogo de abril, e agora enfrenta críticas de linha-dura dentro do próprio Irã por uma postura considerada branda demais.

A proposta iraniana inclui o fim da guerra em todas as frentes, o levantamento das sanções norte-americanas sobre a venda de petróleo iraniano, o encerramento do bloqueio naval americano aos portos iranianos e o descongelamento de ativos detidos no exterior.

Washington rejeitou o documento sem divulgar seu conteúdo, mas Trump deixou claro que a questão nuclear é inegociável. Ele acusou ainda o Irã de ter recuado de um acordo verbal sobre o urânio enriquecido: segundo o presidente, Teerã havia concordado em permitir que os EUA removessem o material, mas depois mudou de posição.

O Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã desde o início do conflito, permanece no centro da disputa, e sua manutenção bloqueada pressiona a economia global, especialmente pelo impacto no fornecimento de fertilizantes para dezenas de países. Nesta terça, o porta-voz do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, acrescentou mais uma ameaça ao tabuleiro: o Irã poderá enriquecer urânio até 90% de pureza, nível compatível com uso militar, caso seja novamente atacado.

O conflito tem raízes nos ataques lançados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã em fevereiro de 2026, e o cessar-fogo vigente desde abril foi repetidamente violado por ambos os lados. Com negociações travadas, mediadores como Paquistão, Qatar, Turquia e China tentam manter um canal mínimo de diálogo, mas o prazo para evitar uma retomada total dos combates parece cada vez mais estreito.

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