Irã ameaça enriquecer urânio se for atacado novamente

Com o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos à beira do colapso, Teerã escalou sua linguagem nuclear nesta terça, 12. O porta-voz da Comissão Parlamentar de Segurança Nacional e Política Externa do Irã, Ebrahim Rezaei, afirmou que o enriquecimento de urânio a 90% de pureza, nível considerado de grau armamentista, poderá ser levado ao Parlamento como opção de retaliação caso o país sofra um novo ataque. A declaração transforma o programa nuclear em carta explícita de pressão sobre Washington em um momento em que as negociações de paz estão travadas.

O Irã possui um estoque significativo de urânio enriquecido a 60% de pureza, e cerca de 90% é o limiar técnico necessário para a fabricação de uma arma nuclear. As avaliações dos serviços de inteligência americanos indicam que o programa nuclear iraniano não será seriamente comprometido a menos que esse estoque de urânio altamente enriquecido seja removido ou destruído. O destino desse material, estimado em cerca de 400 quilos, permanece incerto e é o nó central de toda a negociação.

Do lado americano, o secretário de Defesa Pete Hegseth afirmou que o cessar-fogo segue em vigor e que Washington está “vencendo a guerra contra o Irã”, deixando claro que qualquer encerramento do conflito ocorrerá “nos nossos termos”. Trump havia declarado em junho do ano passado que as instalações nucleares iranianas foram “destruídas” pelos ataques conjuntos de EUA e Israel durante a guerra de 12 dias, mas a ameaça de Rezaei sugere que a capacidade de enriquecimento não foi completamente eliminada.

Trump se reuniu com sua equipe de segurança nacional na segunda-feira para discutir a possibilidade de retomada dos ataques ao Irã, segundo a mídia americana. A questão nuclear é o maior ponto de discórdia nas negociações: Washington exige que o Irã transfira para o exterior todo o seu estoque de urânio altamente enriquecido e renuncie ao enriquecimento em solo nacional, enquanto Teerã insiste em postergar esses temas para uma fase posterior das negociações.

O Irã afirma que o nível de enriquecimento de seu estoque é “negociável”, mas recusa-se a transferir o material para o exterior e reivindica o direito ao uso pacífico da energia nuclear. A ameaça dos 90%, porém, inverte esse argumento: ao colocar o grau armamentista como opção de represália, o Parlamento iraniano sinaliza que a bomba atômica pode deixar de ser um tabu e passar a ser uma ferramenta explícita de dissuasão, o que tornaria qualquer acordo ainda mais difícil de alcançar.

TRATE SEU NEGÓCIO COM SERIEDADE

Be the first to comment

Leave a Reply

Your email address will not be published.


*