A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, subiu 0,70% em setembro de 2026, segundo o IBGE. O resultado reverte a deflação de 0,40% registrada em agosto e representa a maior taxa mensal desde abril, quando o índice havia marcado 0,89%.
A principal causa foi a retirada do desconto do Bônus Itaipu, aplicado nas contas de energia do mês anterior. Como a conta de luz caiu 6,25% em agosto por causa do benefício, a comparação com setembro partiu de uma base menor e ampliou a diferença entre os períodos.
Com o resultado de setembro, o acumulado do IPCA-15 chegou a 4,47% em 12 meses, contra 4,24% em agosto, enquanto o índice acumula 3,82% em 2026. A metodologia do IPCA-15 é basicamente a mesma do IPCA, índice oficial usado como referência na política de metas de inflação do governo.
Habitação foi o grupo que mais pressionou o índice em setembro, com alta de 2,07% e impacto de 0,31 ponto percentual no resultado geral. Dentro desse grupo, a energia elétrica residencial subiu 7,42% e teve o maior impacto individual entre todos os itens pesquisados, de 0,29 ponto percentual, efeito direto do fim do Bônus Itaipu na comparação mensal.
O Bônus Itaipu repassa aos consumidores, como crédito na conta de energia, o saldo positivo da conta de comercialização da hidrelétrica estatal. A retirada do benefício fez a conta de setembro ser comparada com a de agosto, que estava mais baixa, ampliando a diferença mensal.
Transportes também pressionou o índice, com alta de 0,60% e impacto de 0,12 ponto percentual, puxada pelas passagens aéreas, que subiram 9,82%. Os combustíveis ficaram, em média, 0,22% mais caros: o gás veicular subiu 1,56% e a gasolina, 0,30%, enquanto o óleo diesel recuou 0,78% e o etanol caiu 0,22%. Despesas pessoais completaram o grupo dos principais responsáveis pela alta, com variação de 0,96% e impacto de 0,10 ponto percentual.
O grupo alimentação e bebidas subiu 0,40% em setembro, com impacto de 0,09 ponto percentual. A alimentação no domicílio teve alta de 0,38%, depois de registrar deflação de 0,97% em agosto. Entre os alimentos consumidos em casa, o tomate teve o maior avanço, de 20,76%, seguido por arroz, com 2,39%, e carnes, com 1,30%. Já o feijão carioca caiu 6,33%, a cebola recuou 4,41% e o café moído teve queda de 1,36%.
A coleta começou em 15 de agosto e terminou em 15 de setembro. A pesquisa cobre 367 produtos e serviços e alcança 11 localidades, incluindo Brasília; a cesta do índice considera famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. O IPCA cheio de setembro, indicador oficial usado para o cumprimento da meta de inflação, está previsto para ser divulgado em 9 de outubro.


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