Trens de alta velocidade colidem na Espanha; mais de 60 morrem

Equipes de resgate no local da colisão entre dois trens de alta velocidade na província de Toledo, na Espanha. Foto: Agência Brasil
FOTO: DIVULGAÇÃO

Dois trens de alta velocidade colidiram na manhã desta quarta, 28, perto de Urda, na província de Toledo, a cerca de 140 km ao sul de Madri, na Espanha. Os balanços de mortos divergem: um levantamento aponta 64 vítimas fatais, e outro, de pelo menos 68, é atribuído ao governo sem identificação do órgão. Há também dezenas de feridos, sem contagem oficial.

O acidente aconteceu às 8h54 no horário local (4h54 em Brasília) e envolveu um trem AVE, que havia saído de Madri com destino a Sevilha, e uma composição da empresa Iryo. O choque fez quatro vagões tombarem por um barranco. No AVE viajavam 397 passageiros; no trem da Iryo, 147 pessoas, entre elas um bebê.

O número de mortos subiu ao longo da manhã. O governo regional de Castela-La Mancha afirmou que o total passou de 10 para 30, depois de alertar que a cifra poderia aumentar. Não havia balanço definitivo do governo espanhol nas informações apuradas.

Sobre a causa, o ministro dos Transportes, Oscar Puente, afirmou que uma falha no sistema de computação levou à parada inicial de seis trens em circulação, entre eles os dois que colidiram. Segundo ele, o centro de controle decidiu liberar a retomada da circulação sem restrição de velocidade. “Em caso de falha do sistema, o centro de controle assume o comando”, declarou Puente, que classificou a decisão como tomada “em circunstâncias inexplicáveis”. A explicação é preliminar, não há investigação concluída e a declaração não foi confirmada por outra fonte independente.

Equipes da Guarda Civil, bombeiros das províncias de Toledo e Ciudad Real, voluntários da Proteção Civil e profissionais de saúde de Castela-La Mancha foram ao local. A operadora Renfe informou que os serviços entre Madri, Ciudad Real e a Andaluzia foram suspensos.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, escreveu nas redes sociais que os serviços de emergência trabalhavam no local “em coordenação com todas as autoridades envolvidas”. Ao visitar o centro de emergência, disse: “Hoje, toda a Espanha está de luto”. Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular, afirmou que “a prioridade agora é atender às vítimas”.

Miguel, passageiro cujo sobrenome não foi informado, relatou: “Ouvimos um enorme estrondo, um baque realmente gigantesco que durou 10 segundos, como se o trem estivesse prestes a descarrilar”. Imagens divulgadas por uma emissora de TV regional mostraram um trem descarrilado, com pelo menos um vagão ainda em cima de um trecho elevado e fragmentos espalhados no aterro, abaixo da linha.

No Brasil, o Itamaraty divulgou nota em que diz que o país “manifesta sua solidariedade ao povo e ao governo da Espanha, transmite suas sinceras condolências às famílias das vítimas e deseja pronta recuperação aos feridos”. O ministério informou que monitora a situação por meio dos consulados na Espanha, para prestar assistência a eventuais brasileiros afetados. Não há informação sobre brasileiros entre vítimas ou feridos. Os plantões consulares de Barcelona e Madri, com atendimento por WhatsApp, funcionam para casos de emergência.

Trata-se do segundo acidente mortal em menos de um ano no trajeto entre Madri e a Andaluzia. Em janeiro de 2026, uma colisão entre trens das mesmas operadoras, na mesma linha, em Adamuz, na província de Córdoba, deixou entre 45 e 46 mortos e provocou debate sobre investimentos na manutenção ferroviária nos últimos anos.

As eleições gerais da Espanha estão marcadas para 29 de novembro, e o acidente interrompeu, por ora, a campanha. O Partido Popular suspendeu as atividades de campanha, e o PSOE cancelou seus eventos nesta quarta. O Vox não suspendeu sua atividade política.

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