A Petrobras aumentou em 7,2% o preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras a partir de domingo, 1. O reajuste soma R$ 0,45 por litro ao valor de outubro e eleva um combustível que já acumula alta de cerca de 84% em 2026 na comparação com dezembro de 2025.

Em nota, a Petrobras atribuiu o reajuste à alta das cotações internacionais do combustível, em meio às tensões no Oriente Médio e à capacidade de refino reduzida de Rússia e Ucrânia, países em guerra. O aumento vem depois de uma alta de cerca de 11,8% em outubro, equivalente a R$ 0,65 por litro.

O preço do QAV vendido às distribuidoras é reajustado no começo de cada mês, por fórmula contratual que suaviza oscilações de curto prazo. O cálculo, feito a partir do preço de outubro, de R$ 6,24 por litro, chega a cerca de R$ 6,69, acima do pico de maio, embora a estatal não o tenha divulgado nas informações apuradas. Ainda não há informação sobre o efeito do reajuste nas tarifas das passagens aéreas.

PUBLICIDADE

Segundo a companhia, nos mercados internacionais o preço às companhias aéreas é revisto com mais frequência, podendo chegar a revisões diárias, e a alta acumulada desde o início do conflito é maior lá do que no Brasil. Diferentemente de outubro, a estatal não informou se atende a todos os pedidos das distribuidoras para novembro. Ao contrário de anúncios anteriores, o comunicado também não trouxe a variação acumulada no ano.

A Petrobras responde por cerca de 85% da produção nacional de querosene de aviação. Apesar dessa concentração, o setor opera em livre concorrência, sem barreiras de entrada para outras companhias que produzam ou importem o combustível. A fatia do combustível nas despesas operacionais das aéreas saiu de 30% e chegou a mais de 45% desde a eclosão dos conflitos no Oriente Médio, segundo a Associação Brasileira de Empresas Aéreas.

A guerra no Oriente Médio teve início no fim de fevereiro deste ano, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Desde março, o preço do QAV subiu em todos os meses, exceto em junho e julho, quando houve cortes de 14,2% e 14,5%. Em setembro, a Petrobras voltou a permitir que as distribuidoras parcelem os reajustes em três parcelas mensais.