Uma parede rochosa quase vertical a mais de 2 mil metros de altitude revelou um dos mais impressionantes registros do período Triássico já encontrados na Europa. Paleontólogos italianos identificaram milhares de pegadas de dinossauros no Parque Nacional Stelvio, no norte da Itália, em uma área de difícil acesso que hoje integra o cenário natural dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.
As marcas se estendem por cerca de cinco quilômetros no vale glacial de Fraele, próximo à cidade de Bormio, e algumas chegam a 40 centímetros de largura, com impressões nítidas de dedos e garras. O material foi descrito por especialistas como um dos sítios mais ricos do mundo em pegadas do período Triássico, com mais de 200 milhões de anos.
Segundo o paleontólogo Cristiano Dal Sasso, do Museu de História Natural de Milão, a descoberta está entre as mais espetaculares de sua carreira. Os estudos indicam que os rastros foram deixados por manadas de grandes herbívoros de pescoço longo, provavelmente plateossauros, quando a região era uma lagoa tropical situada às margens do antigo Oceano Tétis.
O icnólogo Fabio Massimo Petti, do museu MUSE de Trento, explicou que as pegadas foram formadas em sedimentos ainda moles, nas extensas planícies de maré da época. Com o movimento da placa africana e a formação dos Alpes, o antigo fundo marinho foi elevado e inclinado, deixando as marcas fossilizadas praticamente na vertical — o que garantiu a preservação de detalhes anatômicos raros.
A área foi localizada por um fotógrafo de vida selvagem e não possui acesso por trilhas, o que exigirá o uso de drones e tecnologias de sensoriamento remoto para as pesquisas. Para o presidente do comitê organizador, Giovanni Malagò, o achado representa um “presente inesperado” para os Jogos de Milão-Cortina 2026, unindo ciência e esporte em um dos cenários naturais mais emblemáticos dos Alpes.


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