A suspensão anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um ataque militar ao Irã enquanto as negociações de paz continuam mudou o rumo dos mercados financeiros no fim da tarde desta segunda, 18. O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 4,998, com recuo de 1,34%, após abrir a sessão a R$ 5,04 e se firmar abaixo dos R$ 5 somente perto do fechamento do pregão, já com as tensões geopolíticas aliviadas.
Além do cenário externo mais favorável, investidores promoveram ajustes técnicos após a recente valorização da moeda americana. A percepção de juros elevados por mais tempo no Brasil também contribuiu para sustentar o real, após o Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, elevar a projeção para a taxa Selic no fim de 2026 para 13,25% ao ano. No acumulado do mês, o dólar ainda registra alta de 0,92%, mas cai 8,93% em 2026.
Na bolsa de valores, o Ibovespa seguiu trajetória parecida. O índice da B3 fechou aos 176.975,82 pontos, com recuo de apenas 0,17%, bem abaixo da queda de 0,83% registrada por volta das 15h30, antes do recuo das tensões no Oriente Médio. Os mercados globais iniciaram a semana sob forte cautela, com quedas generalizadas nas bolsas asiáticas e o barril de petróleo Brent operando acima de US$ 110, impulsionado pelo fechamento do Estreito de Ormuz e por novos ataques com drones registrados no Golfo no fim de semana.
Dados mais fracos da atividade econômica brasileira ficaram em segundo plano durante o pregão. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), espécie de prévia do PIB, caiu 0,7% em março na comparação mensal, resultado abaixo do esperado pelo mercado. No ano, o Ibovespa acumula ganho de 9,84%, mas recua 5,52% em maio, após bater recorde em abril.
O apetite de estrangeiros pela bolsa brasileira também segue em compasso de espera. Dados da B3 apontam retirada líquida de R$ 3,9 bilhões por investidores estrangeiros até a metade de maio, sinal de que, mesmo com o índice no positivo no ano, a volatilidade geopolítica global mantém o capital externo ainda em postura defensiva.


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