As recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa do Pix reforçam a importância que o sistema de pagamentos instantâneos conquistou na vida dos brasileiros. Ao afirmar que o Pix pertence ao povo brasileiro, Lula destaca um fato inegável: a ferramenta revolucionou a forma como milhões de pessoas realizam transferências, pagamentos e negócios no país.
O que chama atenção, entretanto, é que o discurso presidencial costuma deixar em segundo plano um aspecto igualmente relevante da história do sistema. O Pix entrou em operação em novembro de 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro, principal adversário político de Lula. Em meio ao embate político permanente que marca o cenário nacional, a origem temporal do projeto raramente é mencionada por integrantes do atual governo.
É verdade que o Pix foi desenvolvido pelo Banco Central e não por um partido político específico. Também é correto afirmar que projetos dessa magnitude envolvem planejamento técnico de longo prazo. Ainda assim, o lançamento da plataforma ocorreu sob a gestão Bolsonaro e se tornou uma das iniciativas mais bem-sucedidas da administração na área econômica e financeira.
A defesa do Pix feita por Lula diante de críticas vindas do exterior demonstra que a ferramenta ultrapassou disputas partidárias e passou a ser vista como patrimônio nacional. Porém, reconhecer esse caráter nacional não deveria significar apagar o contexto histórico em que o sistema foi efetivamente implementado e disponibilizado à população.
Quando governos assumem o mérito por programas criados por antecessores, costumam ser alvo de críticas. Da mesma forma, a história do Pix merece ser contada de forma completa, reconhecendo tanto o trabalho técnico do Banco Central quanto o fato de que sua implantação ocorreu durante o governo Bolsonaro. Afinal, a transparência histórica fortalece o debate público e evita que conquistas institucionais sejam apropriadas por qualquer lado do espectro político.


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