Putin afirma que tropas avançam diariamente e condiciona paz a concessões ucranianas

No quinto ano da guerra mais sangrenta da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, o presidente russo Vladimir Putin descartou qualquer recuo e declarou, nesta quinta-feira, que suas forças avançam no campo de batalha todos os dias, mas abriu uma fresta ao dizer que as propostas de paz de Donald Trump poderiam encerrar o conflito, desde que a Ucrânia estivesse disposta a ceder.

Putin fez as declarações a editores de veículos de imprensa estrangeiros, incluindo a Reuters, à margem do principal fórum econômico anual da Rússia. No mesmo momento, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky publicava uma carta aberta propondo um encontro entre os dois líderes para negociar o fim da guerra, com o aviso de que Kiev seguiria combatendo caso o diálogo fracassasse. O porta-voz do Kremlin confirmou que Putin tomou conhecimento da mensagem, mas ainda não havia analisado seu conteúdo em detalhe. Trump, por sua vez, declarou que um encontro entre os dois seria algo muito positivo.

Com tom visivelmente confiante, Putin listou avanços territoriais para justificar o otimismo russo. Segundo ele, o exército tomou recentemente cerca de 2.500 km² de território ucraniano e já controla integralmente a região de Luhansk, mais de 85% de Donetsk e 80% de Zaporíjia, três das quatro regiões ucranianas que Moscou anexou unilateralmente em 2022, em ato considerado ilegal por Kiev e pela maioria dos países ocidentais. Analistas militares ucranianos e ocidentais, porém, contestam essa narrativa e afirmam que o avanço russo perdeu força de forma significativa.

Para Putin, a solução passa pela mesa que ele mesmo já sentou: “Em vez de impedir o avanço, seria melhor pôr fim à guerra de vez, aceitando os compromissos discutidos em Anchorage”, disse ele, referindo-se à cúpula realizada no Alasca com Trump no ano passado. O líder russo reconheceu, no entanto, que a Rússia precisa reforçar suas defesas aéreas diante da crescente ameaça representada pelos drones ucranianos — uma concessão tácita às dificuldades enfrentadas em campo.

O cenário que se desenha é o de uma guerra que resiste a qualquer solução rápida. De um lado, Putin sustenta que mão de obra, capacidade industrial e força de vontade estão com a Rússia. Do outro, Zelensky busca um encontro direto e sinaliza disposição para negociar, mas sem abrir mão da soberania territorial. Entre os dois, Trump tenta se consolidar como mediador, num conflito que já provou ser muito mais complexo do que qualquer uma das partes previu.

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