Autoridades dos Estados Unidos e do Irã anunciaram neste domingo, 14, ter chegado a um entendimento sobre uma estrutura de paz capaz de pôr fim à guerra entre os dois países, suspender o bloqueio americano aos portos iranianos e reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. A expectativa é de que a medida pressione para baixo os preços da energia no curto prazo.
O presidente americano Donald Trump confirmou o entendimento em publicação na rede Truth Social, pouco depois de o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, país que mediou as negociações, anunciar que o acordo havia sido selado. Segundo Sharif, a assinatura oficial ocorrerá na sexta-feira, na Suíça. Os termos completos ainda não foram detalhados, mas o premiê paquistanês afirmou que o texto prevê o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano — um dos pontos mais sensíveis da negociação, já que Israel e o Hezbollah mantiveram ataques mútuos nas últimas semanas, ignorando apelos por trégua.
Trump declarou que o Estreito de Ormuz, bloqueado de fato pelo Irã ao longo de meses do conflito, será reaberto já na sexta-feira, e que ordenou o fim do bloqueio americano aos portos iranianos. A reação do mercado foi imediata: os contratos futuros do petróleo Brent recuaram cerca de 4% na abertura de segunda-feira, enquanto o WTI, referência americana, caiu mais de 4,6%.
Do lado iraniano, o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que um acordo mais amplo ainda será negociado durante um período de cessar-fogo de 60 dias, que deve incluir alívio de sanções e discussões sobre o futuro do programa nuclear do país. O conflito, iniciado após ataques americanos e israelenses ao Irã em 28 de fevereiro, já deixou milhares de mortos, principalmente em território iraniano e libanês, além de provocar disparada nos preços globais de energia.
Israel, que não participa do acordo entre Washington e Teerã, não se manifestou oficialmente até o momento. A guerra também se tornou um desgaste interno para Trump, com parte da população americana pressionando por uma solução diante da alta nos preços dos combustíveis, enquanto setores do Partido Republicano insistem na exigência de desmantelamento total do programa nuclear iraniano.


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